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Correio da Manhã

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Líder judaico italiano critica silêncio de Pio XII

A visita de hoje do Papa Bento XVI à sinagoga de Roma, a mais antiga existente fora de Israel, reacendeu a polémica em torno do desejo do Vaticano de beatificar Pio XII.
17 de Janeiro de 2010 às 18:19
Papa Bento XVI
Papa Bento XVI FOTO: d.r.

Classificado como o 'Papa de Hitler', num livro que se tornou célebre, Pio XII é acusado de ter-se calado perante o massacre de judeus no Holocausto. Essa mesma acusação foi repetida pelo líder judaico italiano Riccardo Pacifici durante a visita do Santo Padre, a terceira que faz a um templo judaico desde que foi eleito Papa, em 2005. "O silêncio de Pio XII perante a Shoah ainda causa sofrimento", afirmou Pacifici, usando a palavra judaica para Holocausto.

"Talvez não parasse os comboios da morte, mas teria enviado um sinal, uma palavra de conforto, de solidariedade humana, aos nossos irmãos transportados para os fornos de Auschwitz", afirmou ainda. No seu discurso, o rabino prestou ainda homenagem aos muitos católicos italianos, padres e freiras que durante a guerra tudo fizeram para ajudar os judeus e frisou que esse sacrifícios tornou ainda mais cruel o "silêncio" de Pio XII.

Estas palavras são as mais duras proferidas por um líder judaico na presença de Bento XVI, e enviam ao Vaticano a mensagem de que boa parte da comunidade judaica italiana, e mundial, não vê com bons olhos a beatificação de Pio XII.

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