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Correio da Manhã

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LÍDER XIITA SOBREVIVE A ATAQUE EM NAJAF

O Iraque mantém-se a 'ferro e fogo'. Os ataques contra as tropas norte-americanas e britânicas sucedem-se, o caos reina entre a população e os próprios responsáveis aliados reconhecem que tão depressa não conseguirão impor a ordem no país.
25 de Agosto de 2003 às 00:00
O corpo de Vieira de Mello deixou ontem o aeroporto do Galeão
O corpo de Vieira de Mello deixou ontem o aeroporto do Galeão FOTO: Karim Sahib/Lusa
Ontem, três pessoas morreram num atentado perpetrado com uma bomba de fabrico artesanal na principal mesquita da cidade santa xiita de Najaf, no Sul do país.
Segundo testemunhas, o alvo do ataque era o xeque Seyed Mohammad Said Tabatabahi, influente líder da Assembleia Suprema para a Revolução Islâmica, o qual sofreu apenas ferimentos ligeiros no pescoço. Mas os seus dois guarda-costas e o motorista foram mortos, tendo ficado feridas mais dez pessoas. O atentado foi perpetrado com uma garrafa de gás que explodiu atrás da parede do escritório de Tabatabahi no momento em que este regressava da oração do meio-dia.
recrutar o 'inimigo'
O líder xiita responsabilizou os partidários de Saddam Hussei pelo ataque e , de facto, a coligação militar no país tenta a todo o custo aniquilar a resistência iraquiana cada vez mais empenhada na traiçoeira 'guerra de guerrilha'. Segundo o jornal norte-americano 'The Washington Post', estrategas norte-americanos delinearam uma 'discreta' operação de recrutamento de antigos membros dos serviços secretos de Saddam com o objectivo de identificar elementos da resistência.
Um alto responsável citado pelo jornal afirmou que a operação foi reforçada nas últimas semanas face à multiplicação de ataques contra as forças internacionais no país, os quais culminaram com o ataque contra a sede da ONU em Bagdad, na passada terça-feira.
É mais uma tentativa para tentar travar a espiral de violência. Ontem, o administrador civil norte-americano, Paul Bremer, reconheceu que os EUA foram até agora incapazes de restabelecer a ordem e reconstruir as infra-estruturas no Iraque sem as quais será impossível controlar a revolta da população. -
DIPLOMATA SEPULTADO EM GENEBRA
A urna com os restos mortais de Sérgio Vieira de Mello, diplomata brasileiro vítima do atentado de terça-feira contra a sede da ONU em Bagdad, seguiu ontem para Genebra, Suíça. As cerimónias fúnebres estão marcadas para a próxima quinta-feira no cemitério de Plainpalais, confirmou Annie Vieira, a viúva do malogrado representante da ONU no Iraque, no final do velório que decorreu no Rio de Janeiro, no Brasil.
O local do funeral foi motivo de alguma confusão uma vez que informações anteriores asseguravam que, por vontade da família, o diplomata seria sepultado em Thonon-les-Bains, em França. Ontem, no entanto, no final do velório, Annie Vieira assegurou que em nenhum momento a família afirmara que Sérgio Vieira de Mello seria enterrado em França.
A urna com os restos mortais do diplomata deixou a base aérea do Aeroporto do Galeão ontem à tarde num avião da Força Aérea Brasileira.
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