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Correio da Manhã

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Liderança síria ordenou matança

Crianças pequenas abatidas a tiro por ‘snipers’, famílias inteiras assassinadas e bombas de fragmentação lançadas contra zonas residenciais. Estas são algumas das atrocidades cometidas indiscriminadamente pelas tropas do regime sírio na cidade de Homs e noutros bastiões da oposição, segundo denunciou um comité de investigadores nomeado pela ONU, que acusa formalmente a liderança política e militar síria de crimes contra a Humanidade.
24 de Fevereiro de 2012 às 01:00
O bombardeamento sistemático de zonas residenciais é uma das tácticas do regime
O bombardeamento sistemático de zonas residenciais é uma das tácticas do regime FOTO: Epa

O relatório, baseado nos depoimentos de 136 vítimas e testemunhas das atrocidades cometidas pelo regime sírio, foi ontem entregue ao Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos e descreve um cenário de repressão sangrenta e indiscriminada contra a população civil. "Atiradores furtivos e milícias emboscados em pontos estratégicos semeiam o terror entre a população, matando crianças, mulheres e outros civis desarmados", descreve o relatório. Os soldados que não obedecem às ordens para matar civis são mortos, e as agências de segurança prendem e torturam feridos nos hospitais, muitas vezes até à morte, enquanto tanques e armas pesadas são usados indiscriminadamente contra zonas residenciais, indicam os investigadores, que acusam igualmente as forças rebeldes de sequestros e homicídios, "embora em escala não comparável" com os cometidos pelo regime.

O comité entregou ainda à ONU uma lista confidencial com os nomes de líderes civis e militares responsáveis por crimes contra a Humanidade, ordenados "ao mais alto nível" do regime.

‘AMIGOS DA SÍRIA' VÃO EXIGIR CESSAR-FOGO

A conferência dos ‘Amigos da Síria’, que hoje reúne em Tunes, na Tunísia, representantes de mais de 50 países, vai exigir ao regime de Damasco a implementação de um cessar-fogo imediato para permitir o transporte de feridos e o envio de ajuda humanitária para as cidades mais afectadas pela violência, principalmente Homs. A China e a Rússia, dois dos poucos países que ainda apoiam o regime de Assad, já comunicaram que não estarão presentes na conferência.

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