Maria Corina Machado e Edmundo González Urrutia apelam à "consciência dos militares e da polícia".
A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, e o candidato presidencial Edmundo González Urrutia apelaram, esta segunda-feira, aos militares e polícias que impeçam o que qualificam de "golpe de Estado" do Presidente Nicolás Maduro para se manter no poder.
Em comunicado, Machado e González Urrutia reiteram a acusação de fraude eleitoral e que a Plataforma Unitária Democrática (PUD, oposição) ganhou as presidenciais de 28 de julho e a "repressão" sucessiva dos protestos contra o anúncio pelas autoridades da vitória de Maduro, questionada também por parte significativa da comunidade internacional.
"Apelamos à consciência dos militares e da polícia para que se coloquem ao lado do povo e das suas próprias famílias. Com esta violação maciça dos direitos humanos, o alto comando está a alinhar-se com [Nicolás] Maduro e os seus vis interesses", explica o documento.
"Vocês também estão representados por esse povo que foi votar, pelos vossos colegas das Forças Armadas Nacionais, pelas vossas famílias e amigos, cuja vontade foi expressa em 28 de julho", adiantam.
A oposição diz ainda que os militares e polícias "podem e devem pôr termo a estas ações imediatamente", bem como "à violência do regime contra o povo e a respeitar e fazer respeitar os resultados das eleições".
No comunicado, os dois líderes políticos começam por explicar que a Venezuela e o mundo sabem que a oposição teve uma "vitória foi esmagadora" nas eleições de 28 de julho.
"Desde o mais humilde cidadão, testemunha, membro da mesa de voto, oficial das Forças Armadas, polícia, até às organizações internacionais e governos, sabem-no. Com os resultados em mãos, o mundo viu e reconheceu o triunfo das forças democráticas", explica.
A oposição fez a sua parte, continua, com "a mais formidável mobilização cívica para que a vitória eleitoral fosse inquestionável" e em paz.
"Obtivemos 67% dos votos, enquanto Nicolás Maduro obteve 30%. Esta é a expressão da vontade do povo. Ganhámos em todos os Estados do país e em quase todos os municípios. Todos os cidadãos, incluindo os membros do Plano República [ativação de militares para custodiar eleições e material eleitoral], são testemunhas desta realidade", explica.
No entanto, "Maduro recusa-se a reconhecer que foi derrotado" e "perante os protestos legítimos, lançou uma ofensiva brutal contra líderes democráticos, testemunhas, funcionários das mesas de voto e até cidadãos comuns, com o objetivo absurdo de esconder a verdade e, ao mesmo tempo, tentar encurralar os vencedores".
"Sabemos que em todos os componentes das Forças Armadas Nacionais existe a decisão de não reprimir os cidadãos que exigem pacificamente os seus direitos e a sua vitória", explicam.
O documento sublinha que "os venezuelanos não são inimigos das Forças Armadas" e pede aos militares políticas que "impeçam as ações dos grupos organizados pela cúpula madurista, uma combinação de esquadrões militares e policiais e grupos armados à margem do Estado, que espancam, torturam e também assassinam, sob a proteção do poder maligno que representam", explicam.
"Maduro tem dado um golpe de Estado que vai contra toda a ordem constitucional e quer fazer de vós seus cúmplices. Sabem que temos provas irrefutáveis da vitória. O relatório do Centro Carter é devastador sobre as condições e os resultados das eleições (...) Maduro está a tentar fabricar resultados quando o prazo legal para a publicação dos resultados já expirou", explicam, insistindo no apelo a não reprimir o povo, mas a acompanhá-lo.
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