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Ligação a lobista derruba Secretário da Agricultura do Brasil

A presumível ligação com um lobista, que representaria empresas interessadas em negócios com o governo na área agrícola, derrubou na noite deste sábado o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Milton Ortolan. Oficialmente, Ortolan saiu do cargo por vontade própria, mas notícias de bastidores de Brasília dão conta de que foi a própria presidente Dilma quem deu a ordem de saída.
7 de Agosto de 2011 às 02:25
Dilma terá dado a ordem de saída a Milton Ortolan
Dilma terá dado a ordem de saída a Milton Ortolan FOTO: EPA

Segundo a revista 'Veja' deste fim-de-semana, Ortolan é amigo de Júlio Froes, suposto lobista que defende interesses de empresas da área agrícola e a quem o agora ex-secretário protegeria. A proximidade entre Ortolan e Froes seria tão grande, adianta a 'Veja', que o alegado lobista tinha até um gabinete clandestino no próprio Ministério da Agricultura, de onde despachava e mediava relações entre empresas e aquele órgão federal.

Na reportagem, lê-se que Froes facilitava contactos entre empresários e o ministério, que ele próprio preparava editais oficiais para licitações que interessavam aos seus clientes e que cobrava normalmente 10% do total que uma empresa recebia do ministério. Froes apresentava-se em nome do ministério e usava, como forma de convencimento a empresários, os nomes de Ortolan e do próprio ministro da Agricultura, Wagner Rossi, apadrinhado do ex-presidente  Lula da Silva, em cujo governo ocupou a mesma pasta.

Na semana passada, a mesma revista já tinha apresentado denúncias contra a pasta da Agricultura, mas, dessa vez, atingindo o próprio Wagner Rossi. Um alto funcionário do ministério, demitido por supostas irregularidades, deu uma longa entrevista à 'Veja', na qual afirmava que no Ministério da Agricultura “só havia bandidos”, que naquele órgão funciona um mega-esquema de desvio de verbas e que o ministro tem conhecimento de tudo.

Rossi negou com ênfase e foi ao Congresso assegurar que as denúncias eram mera vingança de alguém enraivecido por ter perdido o cargo. Agora, com novas denúncias, o ministério perdeu o seu número 2 e há já quem acredite que não tardará muito para outras cabeças começarem a rolar, como aconteceu no Ministério dos Transportes, onde uma denúncia semelhante da revista, em Julho, provocou a queda de 24 altos funcionários, entre os quais o próprio ex-ministro, Alfredo Nascimento, outro apadrinhado de Lula.

A queda de Milton Ortolan é a segunda no alto escalão do governo federal em 48 horas. Na quinta-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, também ele imposto a Dilma Rousseff por Lula na transição de governo, foi forçado a deixar o cargo depois de várias declarações desastrosas sobre o executivo comandado por ela e de ter confessado que, nas presidenciais de Outubro passado, não votou em Dilma e sim na oposição.

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