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Correio da Manhã

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Litvinenko despedido por mau carácter

O ministro russo da Defesa, Igor Ivanov, assegurou ontem que Alexander Litvinenko “nunca foi espião” e não passava de um “guarda prisional” que foi despedido dos serviços secretos russos por “mau carácter”.
17 de Dezembro de 2006 às 00:00
Kremlin volta a desmentir envolvimento na morte de Litvinenko
Kremlin volta a desmentir envolvimento na morte de Litvinenko FOTO: Epa
Num raro comentário ao caso por parte de um responsável do Kremlin, Ivanov confirmou ontem a jornalistas estrangeiros sediados na capital russa que Litvinenko foi despedido do FSB, os serviços secretos russos, durante o período em que Vladimir Putin esteve à frente da agência, mas negou que tenha sido o presidente russo a despedi-lo pessoalmente. “Ele não tinha formação, não era muito inteligente e tinha tendência para a provocação”, afirmou Ivanov, adiantando que, durante o tempo em que trabalhou para o FSB foram levantadas questões sobre a sua integridade e honestidade. “Ele tinha mau carácter”, afirmou o ministro da Defesa.
Segundo Ivanov, Litvinenko “nunca foi espião e nunca teve acesso a qualquer tipo de informação que pudesse ser valiosa para um serviço de espionagem estrangeiro”, já que, garante, ele trabalhava numa divisão de supervisão dos guardas prisionais do FSB.
“Para nós, Litvinenko era insignificante. Não queremos saber o que escreveu ou o que disse no seu leito de morte”, afirmou o ministro, desvalorizando assim as várias ‘teorias da conspiração’ que acusam o Kremlin de ter assassinado Litvinenko porque este sabia de mais sobre as actividades do FSB.
‘FIGURA IMPORTANTE’
Curiosamente, uma nova teoria ontem vinda a público sobre a morte de Litvinenko volta a apontar um dedo acusador ao Kremlin. Yuri Shvets, um antigo espião russo que diz ser amigo e parceiro de negócios de Litvinenko, afirmou à BBC que ele foi assassinado porque tinha em sua posse informações comprometedoras sobre uma “figura importante” da administração russa. Segundo Shvets, que diz ter falado com Litvinenko no dia em que ele morreu, essas informações estariam contidas num dossiê que ele preparou para uma empresa britânica que tencionava investir milhões de libras na Rússia.
Quem continua convencido do envolvimento do Kremlin é o pai de Litvinenko, Walter. “Não tenho a menor dúvida de que foi assassinado pelo FSB e de que a ordem partiu do presidente Putin. Ele é a única pessoa que pode dar essa ordem”, afirmou ontem.
MAIS UM PORTUGUÊS FAZ TESTES
Um cidadão português começou ontem a fazer a recolha da urina para análises depois de ter telefonado para a Linha de Saúde Pública a informar que esteve hospedado no Best Western Hotel, em Londres, um dos locais onde foram encontrados vestígios do polónio-210, adiantou ontem ao CM Sérgio Gomes, coordenador desse serviço: “Houve um português que recebeu uma carta do hotel no sentido de o informar de que estariam a ser efectuadas pesquisas no hotel onde esteve hospedado. Como ele esteve lá num período possível de risco, começou hoje (ontem) a recolha da urina para análises”, disse Sérgio Gomes.
É mais um português que, para além dos três já conhecidos, poderá eventualmente estar contaminado com aquela substância radioactiva. Os resultados das análises de urina de dois dos três primeiros portugueses deverão ser conhecidos amanhã ou na terça-feira.
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