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Correio da Manhã

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LONDRES CONTRARIA WASHINGTON

O secretário britânico dos Negócios Estrangeiros, Jack Straw, defendeu ontem as acusações britânicas sobre a alegada tentativa do Iraque para comprar urânio ao Níger, mas admitiu que a informação foi fornecida a Londres pelos Serviços Secretos de dois países europeus, que o “Finantial Times” identifica como a França e a Itália.
15 de Julho de 2003 às 00:00
As tropas norte-americanas no Iraque continuam a ser alvo de ataques
As tropas norte-americanas no Iraque continuam a ser alvo de ataques FOTO: Marwan Naamani
Apesar de os EUA já terem admitido que as informações sobre a alegada tentativa do regime iraquiano para comprar urânio não correspondem à verdade, o chefe da diplomacia britânica insistiu ontem que Londres acredita na veracidade das alegações, adiantando que as suas fontes são distintas das americanas. Entre as fontes citadas por Straw estão os Serviços Secretos de “dois países da Europa Ocidental”, que o jornal “Finantial Times” afirma serem a França e a Itália.
Straw lembrou ainda que foram encontrados no Iraque, enterrados no jardim da casa de um cientista, documentos técnicos e uma centrifugadora usada para o enriquecimento de urânio, achados que, no entender do governo britânico, “provam” que Saddam Hussein estava realmente a tentar obter urânio para desenvolver o seu programa nuclear.
Depois de toda a polémica gerada nos EUA, com a Casa Branca a acusar a CIA de ter dado “luz verde” à inclusão das informações erradas no discurso do Estado da Nação do presidente George W. Bush, a polémica parece agora ter-se instalado também no Reino Unido, onde dois terços (66%) dos inquiridos numa sondagem recente afirmam sentir que foram ”enganados” pelo governo em todo este processo.
AMERICANO MORTO EM EMBOSCADA
Um soldado norte-americano foi ontem morto e outros seis ficaram feridos numa emboscada contra uma coluna blindada dos EUA no centro de Bagdad, em mais um ataque contra as forças da coligação.
Segundo uma fonte militar, uma coluna blindada da 3.a Divisão de Infantaria foi alvejada por várias granadas propulsionadas por foguetes (RPG) quando efectuava uma patrulha no bairro de al-Mansour, no centro da capital iraquiana, provocando a morte de um soldado. Esta baixa faz subir para 33 o número de soldados norte-americanos mortos no Iraque desde que o presidente Bush anunciou o fim da fase dos grandes combates, a 1 de Maio.
Também ontem, desconhecidos atiraram uma granada para dentro de um carro estacionado junto à sede do novo Conselho Governativo iraquiano e vários edifícios usados pelos EUA, num ataque que não provocou feridos, mas que vem confirmar o aviso feito na véspera pelo secretário norte-americano da Defesa, Donald Rumsfeld, que previu que os ataques contra as tropas norte-americanas iriam aumentar durante o corrente mês, uma vez que Julho é um mês marcado por várias festividades do extinto partido Baas, de Saddam Hussein.
ÚLTIMOS DESENVOLVIMENTOS
AMEAÇAS
Os serviços secretos norte-americanos desvalorizaram ontem as ameaças feitas por um novo grupo iraquiano ligado à al--Qaeda, que no domingo ameaçou levar a cabo novos ataques contra os EUA.
CUSTOS
A guerra e a ocupação do Iraque já custaram aos EUA qualquer coisa como 50 mil milhões de dólares, noticiou o ‘Washington Post’, que adianta que este valor poderá crescer para o dobro até ao final de 2004.
RECUSA
O governo da Índia recusou um pedido dos EUA para enviar tropas de manutenção de paz para o Iraque. Segundo as autoridades de Nova Deli, o pedido só será aceite se as tropas forem mandatadas pela ONU.
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