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Lordes rejeitam novo referendo ao Brexit mas querem vigiar acordo com UE

Parlamento britânico reclama direito de veto sobre termos da saída da UE.

07 de março de 2017 às 20:08

A Câmara dos Lordes aprovou esta terça-feira uma proposta de emenda à lei para a notificação da saída do Reino Unido da UE que determina que o parlamento terá poder de veto sobre os termos do acordo negociado com Bruxelas.

A emenda diz que a primeira-ministra, Theresa May, "não pode concluir um acordo com a União Europeia no âmbito do artigo 50.º do Tratado da União Europeia (UE) sobre os termos da saída do Reino Unido da União Europeia sem a aprovação das duas câmaras do parlamento".

Os deputados e lordes devem também votar o modelo da futura relação com a UE, refere ainda a emenda, que foi aprovada por 366 votos, contra 268 votos desfavoráveis.

Esta foi a segunda emenda aprovada na câmara alta contra a vontade do governo britânico, que se juntou a uma outra proposta para que Theresa May garanta os direitos dos cidadãos da UE residentes no Reino Unido.

Dezenas de propostas de emendas foram rejeitadas, como a que propunha um segundo referendo ao resultado das negociações e que foi votada ao início da tarde.

A totalidade dos 220 lordes do partido Conservador foi acompanhada por uma grande parte dos membros independentes e de alguns afetos aos partidos Liberal Democrata e Trabalhista, somando 336 votos e derrotando a proposta por uma diferença de 205 votos, contra apenas 131 a favor.

Um porta-voz do executivo britânico reiterou esta terça-feira o compromisso de os parlamentares britânicos serem chamados para uma "votação significativa" sobre o resultado das negociações.

Porém, a emenda que hoje foi aprovada permite que esta promessa seja formalizada e inscrita na lei.

O governo defende que a atual proposta de Lei da União Europeia (Notificação de Saída), composta apenas por 137 palavras, deve ser aprovada sem emendas, tal como aconteceu na Câmara dos Comuns.

"A lei é muito simples. É apenas um mecanismo para ativar o Artigo 50.º [do Tratado de Lisboa] e iniciar o processo de negociação para sair da UE", vincou o mesmo porta-voz.

Num depoimento divulgado após o voto na Câmara dos Lordes, o ministro para o 'Brexit', David Davis, considerou o resultado "dececionante".

"É evidente que alguns [na Câmara dos] Lordes estão a tentar frustrar o processo, e é isso que o governo vai tentar que não aconteça. Vamos agora tentar reverter estas emendas na Câmara dos Comuns", avisou.

Ainda esta terça-feira, realiza-se na Câmara dos Lordes a votação ao texto final da lei, a qual se espera que passe, apesar do voto contra declarado antecipadamente pelos Liberais Democratas.

Mas, por causa das duas propostas de alteração ao texto, a lei vai voltar à Câmara dos Comuns na próxima semana para que estas sejam discutidas e votadas.

O processo legislativo britânico prevê que as propostas de lei circulem entre as duas câmaras como uma bola de "ping-pong", termo pelo qual é conhecido a alternância, até ser encontrado um consenso.

Apesar da incerteza sobre por quanto tempo se vai prolongar este processo, Downing Street mantém o final do mês como prazo para notificar Bruxelas da decisão de sair da UE.

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