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Correio da Manhã

Mundo

Lula acusa EUA de travarem a paz

Criticado por alguns dos mais importantes actores da comunidade internacional, o acordo nuclear firmado pelo Irão por iniciativa do presidente brasileiro sofreu agora o seu ataque mais violento, com a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton a afirmar que Lula da Silva tinha deixado o Mundo mais perigoso. A resposta não se fez esperar, com o chefe de Estado brasileiro a acusar Washington de travar a paz entre os povos.
30 de Maio de 2010 às 00:30
O chefe do Governo português foi um dos participantes no Fórum da Aliança das Civilizações
O chefe do Governo português foi um dos participantes no Fórum da Aliança das Civilizações FOTO: António Cotrim/Lusa

"Dar tempo ao Irão, permitir que o Irão trave a coesão internacional em relação ao seu programa nuclear torna o Mundo mais perigoso, não menos", declarou a chefe da diplomacia dos EUA, acrescentando que o seu país tinha avisado o Brasil de que não concordava com a iniciativa de Lula: "Nós dissemos ao Brasil que não concordávamos [com o acordo], que pensamos que os iranianos estão a usar o Brasil."

Lula da Silva respondeu às críticas de Washington num duro discurso na abertura do III Fórum da Aliança das Civilizações, que reuniu no Rio de Janeiro representantes de todo o mundo (incluindo o primeiro-ministro português. José Sócrates) interessados em harmonizar as relações entre países, culturas e religiões.

"A declaração de Teerão é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada. Temos de ser flexíveis ao negociar com o Irão. É a inflexibilidade que afasta a paz", afirmou o presidente Lula da Silva, criticando os países desenvolvidos, que, segundo ele, resistem a aceitar um maior protagonismo das nações em desenvolvimento, e atacando a actual estrutura da ONU: "As Nações Unidas requerem reformas para deixarem de ser uma sombra distorcida de um passado há muito superado".

Celso Amorim, ministro dos Negócios Estrangeiros de Brasília, saiu igualmente em defesa do acordo alcançado: "Muita gente ficou decepcionada, porque a política de diálogo produziu resultados." Celso Amorim afirmou ainda que os dois países divergem na questão iraniana e louvou o esforço da sua diplomacia para alcançar o acordo.

JOSÉ SÓCRATES PROCURA NEGÓCIOS PARA PORTUGAL

O primeiro-ministro português aproveitou a presença no Fórum da Aliança das Civilizações, no Rio de Janeiro, para viabilizar negócios que beneficiem empresas portuguesas. José Sócrates reuniu-se com representantes de empresas portuguesas interessadas em investir no Brasil, tendo sido definida a importância de se estabelecer protocolos com organizadores do Mundial de Futebol de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 para viabilizar parcerias com empresas lusas, nomeadamente na construção de infra-estruturas.

APONTAMENTOS

CEM PAÍSES

Onze presidentes e primeiros--ministros estiveram presentes no III Fórum da Aliança das Civilizações. Estiveram representados mais de cem países.

JORGE SAMPAIO

O ex-presidente Jorge Sampaio é o alto-representante da ONU para a Aliança das Civilizações.

ZAPATERO FALTA

A ausência mais notada foi a do primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero.

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