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Lula anuncia 100 milhões de dólares anuais para fundo do Mercosul

Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) foi criado para reduzir as desigualdades entre os países do bloco económico.

30 de junho de 2026 às 20:52

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, anunciou esta terça-feira o aumento da contribuição brasileira para o fundo do Mercosul, com um aporte de 100 milhões de dólares anuais, o equivalente a 87,58 milhões de euros.

O Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) foi criado para reduzir as desigualdades entre os países do bloco económico, e os recursos são usados para financiar projetos de infraestrutura, como rodovias, energia e saneamento, por exemplo.

Lula fez o anúncio durante a 68.ª cimeira de chefes de Estado do Mercosul e países associados, em Assunção, no Paraguai, e defendeu a incorporação da Bolívia no fundo como "passo adicional para reduzir as assimetrias" internas do bloco.

O chefe de Estado brasileiro disse que o Mercosul "precisa fazer diferença na vida das pessoas" e listou que, desde a sua criação, o fundo já financiou mais de mil quilómetros de rodovias, 680 quilómetros de ferrovias, 750 quilómetros de linhas de transmissão elétrica, além de 100 quilómetros de redes de saneamento básico.

"Estamos prontos para lançar o FOCEM-II e aumentar a contribuição brasileira, com aporte de 100 milhões de dólares anuais ao longo de uma década", declarou.

Atualmente, o Fundo tem a meta de receber até 100 milhões de dólares anuais de todos os Estados-membro, sendo o Brasil e a Argentina os maiores financiadores, respetivamente com 70% e 27% das contribuições.

"Na atual conjuntura, o Mercosul é uma necessidade estratégica", declarou, ao dizer que "o projeto de integração sul-americano deve estar acima de ideologias".

Num discurso marcado por críticas a iniciativas individuais dos Estados-membros, Lula lamentou a falta de "instituições sólidas" no continente e pediu que o bloco não funcione "de acordo com a eleição desse ou daquele presidente".

Referindo-se às eleições brasileiras, a que concorre a um quarto mandato, disse que, "em outubro, o Brasil reafirmará a força de sua democracia".

No discurso, fez ainda críticas indiretas aos Estados Unidos: "Ninguém é dono do mundo. E ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes".

"Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos, sem deixar de lado nossos interesses. Diversificar parcerias, ampliar a cooperação e preservar a autonomia são requisitos para que a região encontre seu espaço num mundo em transformação", realçou.

Depois de falar sobre o início das negociações do Mercosul para um acordo com o Japão, Lula disse que os países do bloco querem fazer o mesmo com a China e "seguir se aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta".

De improviso, interrompendo a leitura do discurso, lembrou o encontro que teve com o Presidente dos EUA, Donald Trump, em maio, no qual disse que os norte-americanos deixaram um vazio preenchido pelos chineses.

"Eu disse ao Presidente Trump que faz muito tempo que o Brasil faz licitação internacional e os Estados Unidos e a União Europeia não participam. A China participa", disse.

"A China ocupou um espaço que estava vazio. Eles não podem se queixar que a China está ocupando um espaço se ele estava vazio", insistiu.

Noutro momento do seu discurso, Lula defendeu o PIX, sistema de pagamento instantâneo muito popular no Brasil que levou os Estados Unidos a justificarem o aumento de taxas ao país.

Segundo disse, "experiências nacionais bem-sucedidas devem ser compartilhadas entre os países do bloco" como uma estratégia de integração financeira e fortalecimento do uso das moedas locais.

"Sua arquitetura pode servir de base para uma infraestrutura de pagamentos, que beneficiará todos os cidadãos do Mercosul", indicou.

"A integração financeira reduzirá custos, fortalecerá o comércio intrabloco, ampliará o uso de moedas locais e aumentará nossa resiliência frente a choques externos", avaliou.

Antes de iniciar o seu discurso, a pedido do Presidente brasileiro, os chefes de Estado presentes no encontro fizeram um minuto de silêncio em solidariedade às vítimas dos sismos que abalaram a Venezuela na semana passada.

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