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Correio da Manhã

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Lula dá milhões a amigos acusados

A fama do presidente brasileiro de ser vingativo com os adversários mas nunca abandonar um amigo ou um aliado foi ontem confirmada à custa do erário público. Contrariamente às dificuldades encontradas pelos demais deputados e senadores, os 17 parlamentares da base aliada de Lula da Silva, acusados de envolvimento no escândalo ‘Mensalão’, foram beneficiados com o equivalente a muitos milhões de euros atribuídos pelo executivo para obras de carácter eleitoral.
10 de Janeiro de 2006 às 00:00
Por exemplo, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo da Cunha, do Partido dos Trabalhadores (PT), de Lula da Silva, viu aprovados 16 dos 18 pedidos de verbas que fez, totalizando o equivalente a 973 mil euros, enquanto José Mentor, seu camarada de partido, teve ‘luz verde’ para 13 pedidos que fez, correspondentes a 829 mil euros.
Por sua vez, os aliados de fora do PT, como o presidente do Partido Liberal, Valdemar da Costa Neto, outro dos acusados, foi contemplado com o equivalente a 862 mil euros e o seu correligionário Pedro Henri com o equivalente a 1 090 000 euros. O único acusado do ‘Mensalão’ que não apoia o governo, Roberto Brant, viu negadas quase todas as verbas pedidas
No Brasil, cada parlamentar pode solicitar a inclusão no orçamento de verbas para obras a fazer na sua região eleitoral. O governo usa essas verbas como moeda de troca, privilegiando quem o apoia.
Entretanto, o governo de Lula da Silva lançou um projecto de reparação às estradas a nível nacional, numa iniciativa que os analistas consideram eleitoralista.
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