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Correio da Manhã

Mundo
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LULA DA SILVA CONTRA EGOÍSMO AMERICANO

O presidente brasileiro, Luís Inácio Lula da Silva, criticou duramente a hegemonia dos EUA durante um encontro de líderes mundiais do centro-esquerda, que começou no passado fim-de-semana em Londres, levando o anfitrião, o primeiro-ministro Tony Blair, a alertar para os perigos de a esquerda se transformar num bastião de anti-americanistas.
15 de Julho de 2003 às 00:00
As críticas de Lula (à esquerda) não agradaram ao anfitrião Tony Blair
As críticas de Lula (à esquerda) não agradaram ao anfitrião Tony Blair FOTO: Peter Macdiarmid
“Os Estados Unidos pensam primeiro neles próprios, em segundo lugar neles próprios, e em terceiro lugar neles próprios”, afirmou Lula num debate à margem do encontro de dirigentes da chamada “Terceira Via”. Para o presidente brasileiro, a “grandeza” dos EUA leva Washington a tomar atitudes “hegemónicas” que prejudicam os outros países, especialmente os mais pobres. Noutros casos, os países pobres são simplesmente ignorados pelo “gigante”, mesmo se mantiverem com eles relações de amizade. Lula ilustrou este caso com o bom relacionamento pessoal entre o antigo presidente americano, Bill Clinton, e o seu antecessor no cargo, Fernando Henrique Cardoso, que chegou a pernoitar na residência presidencial de Camp David. “Mas Clinton nunca fez nada pelo Brasil”, acusou Lula.
O tom duro das críticas do presidente brasileiro irritou o presidente polaco, Aleksander Kwasniewski, que defendeu os EUA e pediu “mais respeito”, obrigando Tony Blair a “deitar água na fervura” e a lembrar que a esquerda cometeria “um grave erro” se adoptasse uma postura anti-americanista.
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