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Lula da Silva denuncia ação de intimidação da polícia na própria cela

Vários agentes da Polícia Federal invadiram a sua cela às seis horas da manhã.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 7 de Novembro de 2019 às 17:35
Lula da Silva
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O ex-presidente brasileiro Lula da Silva, preso desde 7 de abril de 2018 numa cela da Superintendência da Polícia Federal de Curitiba, capital do estado do Paraná, no sul do Brasil, denunciou ter sido vítima de uma ação claramente intimidatória de agentes daquela corporação. A denúncia foi feita ao "Blog da Cidadania" e veiculada esta quinta-feira no youtube. 

Segundo Lula, vários agentes da Polícia Federal invadiram a sua cela às seis horas da manhã, facto absolutamente incomum em mais de um ano e meio de reclusão naquele local. Provavelmente para evitar represálias, o antigo presidente não detalhou o que os agentes fizeram dentro da cela, que fica numa área administrativa no quarto andar da sede da corporação, longe das celas onde ficam os outros presos, no rés-do-chão, mas afirmou que se tratou de uma clara coerção da polícia para o intimidar.

A estranha ação da Polícia Federal, que Lula atribui a mais um ato ilegal de Sérgio Moro, o ex-juiz que o condenou e hoje é ministro da Justiça do governo Bolsonaro e tutela aquela corporação policial, ocorre às vésperas do julgamento que pode dar a liberdade ao ex-chefe de Estado. O Supremo Tribunal Federal deve concluir até à noite desta quinta-feira o julgamento sobre a legalidade de prisões após condenação em segunda instância, como é o caso de Lula, condenado por Moro por corrupção e com a sentença ratificada pelo TRF-4, Tribunal Regional Federal da 4.ª Região.

Há uma expectativa de que, apesar de por uma diferença de um único voto, a maioria dos 11 juízes do Supremo decida anular essa regra e passe a permitir que qualquer condenado aguarde em liberdade todos os recursos judiciais permitidos em lei, o que Lula exige há muito.

Se a regra for alterada, cerca de 4800 presos após a confirmação da sentença na segunda instância poderão ganhar o direito à liberdade até julgamento do último recurso, mas o Supremo deve determinar que a libertação seja analisada caso a caso, para evitar a soltura de criminosos perigosos.
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