Governante brasileiro também concentrou críticas no aumento do protecionismo e do unilateralismo no cenário internacional.
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, defendeu esta terça-feira, no G7, que o esforço para combater o narcotráfico "deve levar em conta o respeito pela soberania" dos países onde as facções estão instaladas.
Ao discursar na sessão ampliada da cimeira do G7, em Évian-les-Bains, em França, Lula defendeu que o combate aos crimes transnacionais também deve integrar a agenda global de desenvolvimento.
Lula disse que a declaração dos líderes do G7 (grupo das maiores economias do mundo) sobre o combate ao tráfico de drogas representa "um passo positivo", mas defendeu uma abordagem mais ampla.
"O enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas", afirmou o Presidente brasileiro.
Segundo Lula, o fortalecimento do diálogo e da cooperação institucional, inclusive através da Interpol, pode contribuir para localizar ativos financeiros e indivíduos ligados às organizações criminosas transnacionais.
A declaração ocorre semanas após os Estados Unidos classificarem as duas maiores facções criminosas do Brasil como organizações terroristas globais, sendo elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), contrariando a vontade do Governo brasileiro.
Ao longo do discurso, Lula não fez referências diretas aos Estados Unidos nem ao Presidente norte-americano, Donald Trump, que estava presente no evento.
O governante brasileiro também concentrou críticas no aumento do protecionismo e do unilateralismo no cenário internacional.
"O protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas", declarou.
O Presidente brasileiro criticou o aumento da concentração de riqueza no mundo, numa referência indireta ao empresário Elon Musk, ao afirmar que "o primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial".
Segundo Lula, a concentração extrema de riqueza resulta de "décadas de políticas pró-bilionários" e demonstra que o mundo caminha "na contramão da Agenda 2030" das Nações Unidas.
O governante alertou ainda para a redução dos recursos destinados à cooperação internacional e às organizações multilaterais.
De acordo com Lula, a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento registou uma queda superior a 20% no último ano, enquanto o Programa Alimentar Mundial perdeu cerca de 40% do financiamento.
Acrescentou que a Organização Mundial da Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) reduziram os respetivos orçamentos em mais de 20%.
"Não são cifras abstratas", afirmou, sustentando que esses cortes afetam diretamente o acesso à alimentação, à educação, à proteção social e aos serviços de saúde nos países em desenvolvimento.
Lula defendeu ainda o reforço do financiamento climático, a ampliação da cooperação internacional e uma maior partilha de tecnologias de ponta, incluindo inteligência artificial, para evitar que as transições energética e digital aprofundem as desigualdades globais.
"As transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos que concentram benefícios económicos em poucos atores", declarou.
"Os países detentores de minerais críticos devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia, por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades, conforme suas necessidades nacionais", concluiu.
O discurso lido pelo líder de esquerda no evento foi divulgado pelo Palácio do Planalto.
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