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Lula diz ter "a tranquilidade dos inocentes"

Ex-presidente falou antes do recurso da sentença de prisão a que foi condenado na Lava Jato.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 24 de Janeiro de 2018 às 11:14
Lula da Silva
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Poucas horas antes do julgamento que esta quarta-feira pode decidir o seu futuro político e até a sua liberdade, pois, apesar de a hipótese ser considerada improvável, ele corre o risco de ser preso, o ex-presidente Lula da Silva afirmou na noite de terça-feira durante um ato político na cidade de Porto Alegre, estar absolutamente tranquilo pois, frisou, tem a tranquilidade dos inocentes. Lula discursou para cerca de 70 mil apoiantes (número avançado pelos próprios organizadores do ato) concentrados na chamada Esquina Democrática, confluência das ruas Borges de Medeiros e Andradas, tradicional ponto de manifestações políticas na cidade, onde fica a sede do Tribunal Regional Federal da 4. Região, TRF-4, que esta quarta o julga.


"Duvido que neste país tenha um magistrado mais honesto do que eu. Por isso tenho a tranquilidade dos inocentes."-Afirmou o antigo presidente, condenado em Julho passado por corrupção a nove anos e meio de cadeia pelo juiz Sérgio Moro, de Curitiba, responsável na primeira instância da justiça pela operação anti-corrupção Lava Jato.

É exatamente o recurso de Lula a essa condenação que os três desembargadores da 8. Turma do TRF-4 vão julgar esta quarta-feira. Se Lula for ilibado, o que a todos os analistas parece extremamente improvável, ele ficará sem qualquer restrição para disputar as presidenciais do próximo mês de Outubro, cuja corrida lidera com vantagem, mas, se a sua apelação for rejeitada, o seu sonho de voltar a ser presidente do Brasil fica bastante comprometido.

A eventual rejeição do recurso equivalerá a uma segunda condenação, desta feita num órgão colegiado, ou seja, num tribunal com mais de um juiz a decidir o caso e, pela chamada Lei da Ficha Limpa, um cidadão nessa situação fica inelegível. A única saída e a única esperança para Lula é que essa inelegibilidade não é automática e ele tem ao seu dispor uma enorme série de outros recursos, quer ao próprio TRF-4 quer ao Superior Tribunal de Justiça, ao Supremo Tribunal Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral, com os quais tem a esperança de arrastar a questão o mais possível e, quem sabe, conseguir chegar até ao dia da votação, 7 de Outubro, em condições de disputar a presidência.

Aos milhares de simpatizantes reunidos na Esquina Democrática, Lula, condenado por Moro por ter recebido um apartamento triplex numa praia de São Paulo como parte de "Luvas" pagas pela construtora OAS, mostrou-se confiante. Entre fortes críticas à imprensa, um dos seus alvos preferidos, o ex-chefe de Estado declarou que os seus advogados já provaram claramente que ele é inocente e que, por isso, se for julgado apenas pelo que está nos autos e sem influências políticas, será ilibado.

Tensão em todo o país
Fortíssimas medidas de segurança foram tomadas em Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, para garantir a tranquilidade do julgamento e que da decisão tomada pelos juízes, seja ela qual for, não decorram atos de violência de apoiantes ou adversários do antigo presidente concentrados na cidade desde segunda-feira. Foi decretado feriado terça e quarta, quase todo o centro de Porto Alegre, onde fica o TRF-4, está com bloqueios totais ou parciais e barreiras de segurança, a polícia chamou agentes de várias cidades do interior e do litoral para reforçarem o efectivo da capital e pelas ruas estão estrategicamente colocados atiradores de elite e grupos de forças especiais, enquanto uma verdadeira esquadrilha de helicópteros patrulha os céus em redor do tribunal.

A cerca de um quilómetro do TRF-4 estão acampados milhares de militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e outros milhares levados até Porto Alegre por centrais sindicais e movimentos sociais em apoio de Lula espalham-se por onde a polícia permite. Do outro lado da cidade, um pouco mais longe do tribunal, concentram-se os grupos hostis a Lula, e a grande preocupação das autoridades é que após a decisão dos juízes ser conhecida os dois lados não se encontrem e confrontem.

Por todo o país, desde o início do amanhecer grupos pró e contra Lula também se concentraram em praças e junto aos tribunais locais, onde em alguns casos foram montados ecrãs gigantes, para acompanharem o julgamento, que será exibido pelo próprio TRF-4 através da sua página na internet. Em São Paulo, onde Lula acompanhará tudo na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, desde a tarde de terça-feira grupos contra o antigo governante concentram-se na Avenida Paulista, enquanto os apoiantes do ex-presidente marcaram para o final da tarde uma grande manifestação na Praça da República, também na região central da cidade.

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