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Lula trava inquérito

O governo do presidente brasileiro Inácio Lula da Silva está a criar obstáculos à acção da Polícia Federal nas investigações sobre o escândalo do ‘Mensalão’ e a inviabilizar o acesso a documentos importantes para o esclarecimento do caso. A denúncia consta de um relatório secreto interno da própria polícia entregue ao director-geral da corporação, Paulo Lacerda, pelos agentes e inspectores encarregues da investigação.
7 de Novembro de 2005 às 00:00
Lula trava inquérito
Lula trava inquérito FOTO: Paulo Whitaker, Reuters
No documento, Wanine Santana Lima – directora do DRCI (Departamento de Recuperação de Activos e Cooperação Jurídica Internacional), um novo órgão criado e controlado directamente pelo ministro da Justiça, Márcio Tomás Bastos, que também tutela a Polícia Federal – é acusada de boicotar a acção dos polícias que investigam o ‘Mensalão’. Wanine Lima esteve nos EUA onde terá influenciado autoridades judiciais norte-americanas no sentido de não serem facultados aos agentes policiais do Brasil documentos de movimentações bancárias feitas no estrangeiro por suspeitos brasileiros, entre os quais Duda Mendonça, o publicitário que fez a campanha de Lula e reconheceu publicamente ter sido pago com dinheiro ilegal depositado num paraíso fiscal por ordem do Partido dos Trabalhadores.
“Enquanto as equipas policiais trabalhavam nas investigações no Brasil e operacionalizavam a ida a Nova Iorque, a representante do DRCI (Wanine Lima) encontrava-se nessa cidade procurando influenciar as autoridades americanas a não fornecerem as informações solicitadas pelas autoridades de investigação constituídas e legitimadas” lê-se no documento da Polícia Federal, citado pela Imprensa brasileira.
Para a Polícia Federal, a acção desse órgão criado pelo ministro da Justiça está na origem dos atrasos nas investigações e da dificuldade de acesso, quer da polícia, quer das comissões de inquérito do Congresso a documentos que o DRCI possui mas não partilha, impossibilitando a incriminação formal de vários suspeitos.
'OPERAÇÃO AMÉRICA' EM BRASÍLIA
Não obstante o esquema especial de segurança denominado ‘Operação América’, centenas de manifestantes protestaram ontem em frente à porta da residência oficial de Lula da Silva, em Brasília, contra o presidente Bush, e pelo menos um deles foi detido. Trata-se de Wagner Juraci, do Partido dos Trabalhadores.
Foi o maior esquema de segurança de sempre em Brasília que envolveu 1800 polícias e soldados das forças armadas, com cães capazes de localizar bombas, armas e produtos químicos, agentes dos serviços secretos e atiradores de elite. O Hotel Blue Tree Park foi fechado para receber o presidente norte-americano e a sua comitiva. Os agentes vasculharam todo Hotel, incluindo debaixo da cama de Bush. Trezentos agentes da CIA foram autorizados a entrar no Brasil com armas. Os agentes provaram toda a comida antes de Bush que, com 25 carros, entrou pelas portas do fundo da residência oficial para evitar os manifestantes. Refira-se ainda que pelo menos 300 agentes da CIA foram autorizados a entrar no Brasil com armas.
ENCONTRO DE AMIGOS
Evidenciando bom relacionamento pessoal, os presidentes Lula da Silva e George W. Bush dispensaram ontem ministros e assessores e conversaram animadamente durante mais de hora e meia na casa de campo da presidência brasileira, nos arredores de Brasília.
Discursando nos jardins antes do almoço, os dois estadistas cercavam o local e elogiaram-se mutuamente, ressaltando que ambos estão empenhados em obter avanços nas discussões na Organização Mundial de Comércio sobre a diminuição de barreiras comerciais.
EUA CORTAM VERBAS
George W. Bush disse ontem, durante um encontro com Lula da Silva, em Brasília, que os EUA diminuirão os subsídios agrícolas se os países europeus fizerem o mesmo, o que levará o Brasil a conquistar mercado no estrangeiro.
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