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Correio da Manhã

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LUZ VERDE A NOVAS ARMAS NUCLEARES

O presidente norte-americano, George W. Bush, assinou ontem uma lei desbloqueando 6,3 mil milhões de dólares para o desenvolvimento de uma nova geração de armas nucleares mais pequenas e precisas, as quais, segundo os críticos, poderão dar origem a uma nova corrida mundial ao armamento.
2 de Dezembro de 2003 às 10:09
A nova lei, aprovada pelas duas câmaras do Congresso no mês passado e inserida no orçamento do Departamento de Energia para o ano fiscal de 2004, estipula uma verba na ordem dos 6,3 mil milhões de dólares para dois novos programas nucleares. Um deles visa o desenvolvimento de bombas nucleares ‘antibunker’, capazes de destruir centros de comando e controlo subterrâneos e depósitos de armas, enquanto o outro tem por objectivo o desenvolvimento de uma nova geração de armas nucleares, mais pequenas e menos potentes, susceptíveis de serem utilizadas em cenários de conflito sem causar grandes danos colaterais.
Segundo os peritos, uma bomba nuclear de cinco megatoneladas, por exemplo, seria extremamente eficaz contra silos de mísseis, destruindo não apenas as portas blindadas do silo mas também os próprios mísseis ali armazenados, tudo isto sem que fosse espalhada pelos arredores uma grande quantidade de radiação.
Os críticos afirmam, no entanto, que os comandantes militares poderiam sentir-se “tentados” a usar este tipo de armas juntamente com armas convencionais num conflito “normal”, o que conduziria a uma escalada nuclear sem precedentes nos tempos recentes.
CORRIDA AO ARMAMENTO
Outro argumento usado pelos críticos é o de que o desenvolvimento deste tipo de armas poderá dar origem a uma nova corrida ao armamento nuclear, idêntica àquela em que os EUA e a então União Soviética estiveram envolvidos nas décadas de sessenta e setenta.
Os adeptos do desenvolvimento deste novo armamento, incluindo o presidente Bush, argumentam, por outro lado, que este tipo de armas são ideais para utilizar na guerra contra o terrorismo, pois serão capazes de destruir “bunkers” ou esconderijos subterrâneos, como aqueles usados pela al-Qaeda no Afeganistão, sem causar grandes danos colaterais.
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