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Correio da Manhã

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MACACOS SALVAM GIBRALTAR DOS ESPANHÓIS

Reza a lenda que enquanto houver corvos na Torre de Londres tudo estará bem no país. Do mesmo modo, diz-se que se algum dia os macacos de Gibraltar chegassem a desaparecer, a colónia deixaria de ser britânica e passaria, por fim, para mãos espanholas. Superstição? Não, diplomacia de Estado.
1 de Agosto de 2004 às 00:00
Os macacos são um dos símbolos do Rochedo
Os macacos são um dos símbolos do Rochedo
O Arquivo Nacional britânico revelou recentemente documentos extraordinários que demonstram o quanto os ingleses tomam a sério o futuro dos macacos de Gibraltar.
Em plena batalha de Arnhem, em Setembro de 1944, o então primeiro-ministro Winston Churchill não fez nada menos do que enviar a seguinte ordem: “Ministro das Colónias. O estabelecimento dos macacos deverá ser de 24. Medidas deveriam ser tomadas para conseguir esse número de imediato e mantê-lo assim. WSC”.
Mas o mais surpreendente é uma nota datada de 1971 enviada com o objectivo de divertir o ministro dos Negócios Estrangeiros de então, Alec Douglas-Home. Nessa missiva pormenorizam-se a correspondência que trocaram em 1967 o governador de Gibraltar, Gerald Lathbury, e um alto funcionário de Londres, um tal Saville Garner.
Os telegramas, sexualmente explícitos, estão escritos em verso e explicam a preocupação existente nesse momento entre as autoridades inglesas porque a população das duas colónias de macacos do Rochedo – Middle Hill e Queen’s Gate – estava a começar a decrescer.
Em Middle Hill havia falta de machos, e em Queen’s Gate de fêmeas. Naquela época o governador era obrigado a enviar uma lista de seis em seis meses detalhando o sexo, o tamanho, a idade e os nomes de cada um dos macacos que viviam na colónia.
Eis um exemplo, em tradução livre, dos versos trocados pelos dois funcionários do governo de Sua Majestade. Escreve de Londres Saville Garner: “Estamos um pouco preocupados/pelos macacos/depois de estudar seus tamanhos e formas/temos a impressão de que existe a possibilidade/de lesbianismo, sodomia ou violações [...] Quando as solteiras de Queen’s Gate encontrem os seus colegas de Middle Hill/e uma nova colónia emerja/o general Franco ficará furioso/e você manterá a imunidade face a Espanha/graças à eugenia dos símios”.
Responde de Gibraltar o governador: “Por muito que admiremos o «churcheliano» desejo/enquanto viver o Joe [macaco de Queen’s Gate de nove anos de idade], nenhuma macaca terá que ser lésbica/e há também Harold e Hércules [outros dois macacos]/que embora jovens, sabem quanto baste”.
Os macacos chegaram a Gibraltar procedentes de Marrocos pouco depois do Tratado de Utrecht (1713), que legitimou a ocupação do Rochedo pela Grã-Bretanha em 1704.
Na actualidade, calcula-se que vivam na colónia inglesa uns cem macacos, e o problema é muito diferente do que preocupava o governo britânico há quase 40 anos. Agora há tantos primatas, e portam-se tão mal, que as autoridades não são capazes de controlá-los e com frequência dão-se incidentes com crianças que são atacadas, ou com famílias que se queixam porque os animais entram pelas janelas abertas para roubar comida.
Recentemente, Peter Caruana, governador do Rochedo, recusou distribuir a pílula entre as irrequietas colónias de macacos por receio de ofender a população católica, que é maioritária no Penhasco.
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