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Correio da Manhã

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Madrid acolhe cimeira contra o terrorismo

Tem início amanhã em Madrid a Conferência Internacional sobre Democracia, Terrorismo e Segurança, que terminará sexta-feira, dia 11, de modo a coincidir com as cerimónias solenes do primeiro aniversário da tragédia que vitimou 190 pessoas na capital espanhola.
7 de Março de 2005 às 00:00
O mega evento – no qual participarão mais de 200 especialistas de várias áreas do saber e dezenas de chefes de Estado e de governo, entre eles o presidente português, Jorge Sampaio –, abordará o fenómeno do terrorismo sob todos os prismas possíveis, sendo debatido a nível da sua origem e explicação e, é claro, ao nível das formas pelas quais pode ser combatido.
O tema do terror ganhou nova acuidade desde o 11 de Setembro, mas as decisões políticas comuns, ao nível europeu e de cooperação transatlântica, tardaram, em boa parte devido aos desentendimentos entre EUA e União Europeia (UE) quanto às formas prioritárias do combate e prevenção do terror.
Após o massacre de 11 de Março do ano passado em Madrid os países europeus despertaram para um novo pesadelo e recomeçaram, com renovada intensidade, os debates para implementação de medidas transnacionais para identificação de grupos radicais, detenção de suspeitos e controlo da sua circulação no espaço europeu.
O evento agora promovido na capital espanhola pelo Clube de Madrid (ver caixa) integra-se neste espírito de reforma e, se não tem um carácter oficial no sentido em que não servirá para determinar directamente as políticas dos Estados-membros da União Europeia, pretende ser uma plataforma de estabelecimento de consensos políticos e institucionais que esclareçam as vias a seguir para aperfeiçoar a prevenção e combate ao fenómeno terrorista na Europa e no mundo. O pressuposto de base é o de que a resposta ao terrorismo global tem de ser ela também global.
Nos quatro dias da cimeira o radicalismo violento será analisado em grupos de trabalho que se debruçarão sobre as suas causas, as formas de combate à sua implantação e expansão e sobre problemas como o da harmonização do combate ao terror com a preservação das liberdades, direitos e garantias das sociedades democráticas.
Para além disto haverá mesas redondas e conferências sobre questões específicas, como o conflito israelo-árabe, o impacto do terrorismo na indústria turística ou ainda, entre outros, a necessidade de tornar mais eficaz a integração de imigrantes nos países ocidentais.
Além de Jorge Sampaio – um entre dezenas de chefes de Estado convidados para a sessão plenária da Conferência, a ter lugar no dia 10 – Portugal terá entre os participantes Aníbal Cavaco Silva e António Guterres, membros do Clube de Madrid, António Vitorino, ex-comissário europeu ligado à reforma do sistema de luta antiterrorista da UE, e ainda o perito em terrorismo Antero Lopes.
PROMOVER A DEMOCRACIA NO MUNDO
O Clube de Madrid, promotor da cimeira que amanhã tem início na capital espanhola, integra actualmente 44 antigos chefes de Estado e de governo de todo o mundo, tendo a ideia para a sua criação surgido após a Conferência sobre Transição e Consolidação Democrática, igualmente realizada na capital espanhola em 2001.
Nesse encontro, 35 chefes de Estado e de governo de todos os continentes reuniram com dezenas de peritos internacionais para debater os problemas da construção de estados democráticos. Daí nasceu a ideia de integrar a experiência acumulada por esses estadistas num organismo formal cujo objectivo fosse, justamente, o desenvolvimento da democracia no mundo.
Entre as funções do Clube, actualmente presidido pelo ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, está o aconselhamento ao nível da criação de políticas de reforma de instituições em países em vias de desenvolvimento, para o que o Clube conta com a colaboração de reputados especialistas internacionais.
Aníbal Cavaco Silva e António Guterres são membros de pleno direito do Clube, que integra ainda, por exemplo, Bill Clinton, José María Aznar, Mikhail Gorbatchov, Lionel Jospin e Helmut Kohl.
NÚMEROS DO 11 DE MARÇO
- 74 arguidos, 22 dos quais em prisão preventiva.
- 30 testemunhas de várias nacionalidades protegidas por medidas especiais, como mudança de domicílio e identidade.
- 218 vítimas em tratamento médico na rede pública.
- Um ferido ainda em coma.
- 36 psiquiatras e 17 psicólogos reforçam os serviços de saúde mental de Madrid para dar resposta às solicitações dos sobreviventes.
- 3074 pessoas recorreram até agora aos serviços de assistência psicológica em mais de 13 925 consultas relacionadas com as consequências traumáticas do atentado.
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