Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
6

MADRID ATACA AL-QAEDA

Europa está em alerta máximo numa altura em que se intensifica a luta contra o terror, com inúmeras detenções feitas em vários países, nomeadamente na vizinha Espanha, onde decorreu na madrugada de ontem a primeira grande operação deste ano contra extremistas islâmicos, tendo sido detidas 19 pessoas.
25 de Janeiro de 2003 às 00:00
Numa conferência de Imprensa dada na Corunha, o primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, anunciou as detenções, feitas na região da Catalunha, adiantando que os suspeitos têm ligações à al-Qaeda, através do Grupo Salafista Argelino (dissidente do Grupo Islâmico Armado) e planeavam levar a cabo ataques químicos na Europa. “A Polícia desmantelou uma importante rede, que tem também ligações com terroristas recentemente detidos em França, Reino Unido” – rematou Aznar.

Angel Acebes, ministro do Interior espanhol, adiantou que a Polícia efectuou buscas a 12 casas (em Barcelona e Girona) e, além das detenções, apreendeu detonadores, explosivos, componentes para bombas, controlo remoto para activar bombas, substâncias químicas (resina, combustíveis) e equipamento de transmissão por rádio, usado para comunicar com extremistas islâmicos na Argélia e Tchetchénia.

Por sua vez, fontes policiais informaram que 10 dos 19 detidos foram transferidos para Madrid, a partir donde o juiz da Audiência Nacional Guillermo Ruiz Polanco coordenou esta mega-operação, em que participaram 180 agentes espanhóis e contou com a colaboração activa dos Serviços de Segurança doReino Unido e França. Aliás, a operação foi requerida por Paris.
Alguns dos detidos que permanecem na Catalunha deverão, no entanto, ser libertados por falta de provas.
De acordo com a Polícia, os detidos, que passaram pelos campos de treino da al-Qaeda, tinham fixado residência em Espanha como lugar de encontro entre terroristas da rede.

Estas detenções surgem quatro dias depois de em Londres terem sido efectuadas buscas na mesquita de Finsbury, no âmbito das investigações sobre o caso da rícina, substância tóxica encontrada num apartamento de um suspeito no princípio do mês.

Dos sete detidos, dois continuam detidos por infracções às leis de imigração e um foi libertado por falta de provas. A Polícia britânica deu por terminada as buscas na referida mesquita.

Quanto à investigação sobre a rícina, vários jornais americanos, citando fontes dos Serviços Secretos dos EUA, afirmavam ontem que os suspeitos detidos no princípio do mês em Londres queriam usar a substância tóxica para envenenar comida de militares pelo menos numa base militar. A teoria parece aceitável, já que um dos detidos trabalhava para uma empresa que fornece comida para bases e mantinha contactos com pelo menos uma delas.

Perante esta informação, os EUA pediram à Alemanha, onde estão estacionados sete mil soldados norte-americanos, que reforcem a segurança nas bases. Berlim começou ontem mesmo a apertar o controlo de entradas e saídas de pessoal em todas as bases.
Itália revê segurança

Na Itália, onde na quinta-feira foram detidos cinco marroquinos, as autoridades estão igualmente a rever segurança nos locais considerados mais sensíveis.
Recorde-se que durante a operação em que foram feitas as detenções, a Polícia italiana apreendeu mapas em que estavam assinalados locais que se supõe seriam os prováveis alvos de atentados em Itália.

Além disso, o explosivo plástico encontrado na casa onde foram detidos os marroquinos é do mesmo tipo do que foi usado em Bali, na Indonésia.

Perante a acumulação de provas de que estão em preparação novos ataques,vários países europeus a aumentar o estado de alerta.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)