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Correio da Manhã

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Mãe acusada de matar a filha após batalha fingida contra doenças raras

Corpo exumado revela que Olivia Gant, de sete anos, não estaria doente, como a mãe alegava, recebendo milhares em donativos.
SÁBADO 23 de Outubro de 2019 às 18:46
Mãe acusada de matar a filha após batalha fingida contra doenças raras
Mãe acusada de matar a filha após batalha fingida contra doenças raras
Mãe acusada de matar a filha após batalha fingida contra doenças raras
Mãe acusada de matar a filha após batalha fingida contra doenças raras
Mãe acusada de matar a filha após batalha fingida contra doenças raras
Mãe acusada de matar a filha após batalha fingida contra doenças raras

Olivia Gant, uma menina loira e amorosa do Colorado, com sete anos, sensibilizou o mundo em 2017, surgindo nas notícias a cumprir os seus sonhos, alegadamente os últimos, já que se encontraria, segundo a mãe, com na fase terminal de uma série de doenças raras e incuráveis, de que viria a sucumbir: foi fotografada a receber um título honorário de agente da polícia de Denver e posando com um fato de bombeiro, as duas profissões que almejava.

Agora, as autoridades alegam que a mãe, Kelly Renee Turner, de 41 anos, inventou os problemas de saúde da filha, obrigando a menina a fingir que os tinha e assim acumulando centenas de milhares de dólares em donativos de caridade e prémios de seguro, para os combater. 
 
De acordo com as autoridades, que agora lhe movem um processo, tudo começou no Texas, onde morava, em agosto de 2011, ao alegar que duas das suas filhas tinham graves problemas de saúde: Olivia, então com 13 meses e que viria a morrer a 20 de agosto de 2017, e a irmã do meio, então com 3, alegadamente com cancro. Já a terceira filha, que teria 11 anos, estaria em perfeitas condições. 

A mãe, que foi detida na sexta-feira, 18 de outubro, num hotel de Glendale, no estado de Colorado, enfrenta agora duas acusações de crime em primeiro grau, abuso de crianças, três processos de fraude e outros tantos de extorsão, dois de tentativa de manipulação da opinião público e mais dois de burla em segundo grau. 

De acordo com a Associated Press, ninguém tinha questionado a morte da menina até 2018, quando a mãe se apresentou com a filha do meio no mesmo hospital onde Olivia foi tratada, queixando-se de "dores nos ossos". Foi também em 2018 que a flha mais velha começou a ser seguida por um novo médico, após a reforma do seu médico habitual, que terá estranhado as informações da mãe, de que a menina, hoje com 11 anos, teria andado três anos em tratamento contra o cancro, logo depois de a família se mudar para o Colorado, em 2013: ao tentar verificar essa informação, ligou para os seus homólogos no Texas e descobriu que esse diagnóstico de cancro nunca existiu.

Imediatamente confrontada pelas autoridades, a mãe admitiu que inventou o diagnóstico de cancro da filha do meio, mas manteve que as doenças que conduziram à morte de Olivia eram reais. No entanto, já no hospital onde ela esteve internada, vários médicos suspeitavam que não fossem verdade, dizendo que a menina era alegre e vigorosa, o que contrastava com o que a mãe alegava: uma das doenças da menina seria autismo, de que não havia evidências, e um dos médicos terá até chegado a dizer à mãe que também não encontrava evidências, nas análises à criança, das convulsões que a mãe relatava. Chegou mesmo a avisá-la para não continuar a dar-lhe medicação contra as convulsões, por terem efeitos secundários.

Esses efeitos afectaram, de facto, a menina – depois de a mãe alimentar um blog sobre os problemas das filhas ao longo de anos, levando associações de caridade a dar-lhe dinheiro para os tratar e a ajudar a mais nova, a amorosa Olivia, a cumprir os seus sonhos de "apanhar bandidos" como polícia e "salvar pessoas" como bombeira –, que acabou por ser internada. E foi a própria mãe que a desligou dos tubos que a prendiam à vida, em agosto de 2017, dizendo que "era o correto e piedoso a fazer, já que a qualidade de vida dela se deteriorava de dia para dia".

Vários médicos contestaram a decisão, mas um deles lá acabou por lhe dar razão e assinou uma declaração, para que não tentassem reanimar a menina, que acabou por morrer com um diagnóstico de "falência dos intestinos". 

No entanto, o caso sempre levantou suspeitas e os investigadores conseguiram autorização para exumar o seu corpo em novembro último, não encontrando evidência dessa alegada "falência dos intestinos", ficando assim por determinar a causa da morte da criança. Agora, a mãe enfrenta a justiça, que a acusa de ter matado a menina, traindo a sua confiança, deliberada e premeditamente. 

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