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Correio da Manhã

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Magnata russo culpado

O colectivo de juízes no julgamento do magnata russo Mikhail Khodorkovsky não concluiu esta segunda-feira a leitura da sentença, mas revelou o suficiente para considerar o arguido culpado de quatro das sete acusações.
16 de Maio de 2005 às 15:00
Mikhail Khodorkovsky mostrou-se sempre tranquilo durante a leitura parcial da sentença
Mikhail Khodorkovsky mostrou-se sempre tranquilo durante a leitura parcial da sentença FOTO: reuters
O julgamento de Khodorkovsky constitui uma espécie de julgamento do próprio Estado de Direito na Rússia.
Outrora o homem mais rico da Rússia, Khodorkovsky foi um dos oligarcas nascidos do frenesi das privatizações russas na década de 1990. Foi preso quando declarou a sua vontade de entrar na política. Está acusado de crimes económicos, mas muitos vêem-no como um preso político, numa espécie de manobra preventiva desencadeada pelo presidente Vladimir Putin.
A própria secretária de Estado (ministra dos Negócios Estrangeiros) dos EUA, Condoleezza Rice, disse no mês passado, em Moscovo, que Washington estava a acompanhar com interesse o julgamento de Khodorkovsky, 41 anos de idade. Os contornos políticos deste julgamento foram bem expressos pelos cerca de 500 apoiantes do magnata que se concentraram esta manhã à porta do tribunal.
A leitura da sentença começou a ser feita esta segunda-feira, mas foi interrompida, alegadamente por cansaço dos juízes, e deve ser concluída amanhã (terça-feira). O que foi já ouvido em tribunal indica Khodorkovsky culpado de quatro crimes: roubo com conspiração; fraude em prejuízo de direitos de propriedade; desobediência maliciosa a uma ordem de tribunal e evasão fiscal.
Os próprios advogados de defesa, com base na leitura parcial da sentença, afirmaram não ter dúvidas de que Khodorkovsky será declarado culpado. O Ministério Público russo pede uma sentença de dez anos de prisão efectiva, acrescidos de mais três anos impedido de exercer qualquer cargo de administração pública. A defesa pede a absolvição total.
Khodorkovsky foi preso há 17 meses. O gigante petrolífero que dirigia, a Yukos, desintegrou-se sob o peso de um passivo fiscal avaliado em 27,5 mil milhões de dólares. Uma das unidades do grupo, a Rosneft, acabou por ser comprada pela petrolífera estatal Gazprom.
Além de Khodorkovsky é também arguido neste julgamento o seu sócio Platon Lebedev, accionista minoritário da antiga Yukos e sob o qual pesam acusações semelhantes.
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