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Correio da Manhã

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Mais de 20 mil manifestam-se em Frankfurt contra austeridade

Mais de 20 mil pessoas manifestaram-se neste sábado contra a austeridade e contra o capitalismo em Frankfurt (Alemanha), a culminar uma semana de acções do movimento Blockupy (bloquear e ocupar), mais conhecido por movimento dos indignados.
19 de Maio de 2012 às 17:23
As anteriores manifestações nesta metrópole alemã, entre quarta e sexta-feira foram proibidas pela autarquia local, que receava graves distúrbios
As anteriores manifestações nesta metrópole alemã, entre quarta e sexta-feira foram proibidas pela autarquia local, que receava graves distúrbios FOTO: Alex Domanski/Reuters

O protesto na meca financeira alemã foi convocado por organizações esquerdistas e sindicatos e pelo movimento antiglobalização ATTAC, e contou também, segundo a imprensa local, com delegações do ATTAC de Portugal, de Espanha e da Grécia.

Num comício perto da sede do Banco Central Europeu (BCE), vários oradores criticaram a política de combate à crise financeira da União Europeia, acusando Bruxelas de ter imposto uma "austeridade desumana" na Grécia, e de ter "roubado a soberania" a este país da moeda única sob intervenção da chamada ‘troika’.

As anteriores manifestações nesta metrópole alemã, entre quarta e sexta-feira foram proibidas pela autarquia local, que receava graves distúrbios, depois de te sido anunciada a presença de grupos anarquistas conhecidos por recorrerem à violência.

Várias estações do metropolitano e do comboio urbano estiveram fechadas, o acesso ao centro da cidade, onde se situam luxuosos estabelecimentos comerciais, foi vedado, e mais de cinco mil polícias vindos de vários pontos do país tentavam manter a ordem.

Nos dias anteriores, a polícia conseguiu impor a proibição de manifestações e de bloqueios em pontos nevrálgicos, efectuando mais de 600 detenções entre manifestantes que desobedeceram à decisão judicial.

Na quarta-feira, um forte contingente da polícia de intervenção já tinha evacuado, também com base numa ordem dos tribunais, o acampamento de cerca de 200 indignados que estava há sete meses num parque público junto à sede do Banco central Europeu.

Os organizadores dos protestos consideraram a actuação da polícia "exagerada e desnecessária", e nas redes sociais correram mensagens sobre controlos policiais nos acessos a Frankfurt por auto-estrada e via-férrea, que geraram grandes atrasos.

"Tivemos de fazer isso porque tínhamos informações de que cerca de dois mil elementos violentos ligados à extrema-esquerda queriam vir à manifestação", disse uma fonte policial.

 


Um advogado dos manifestantes acusou a polícia, no entanto, de ter amarrado pessoas que se estavam a manifestar pacificamente e de as ter transportado para locais a várias dezenas de quilómetros de Frankfurt, onde ficaram retidas várias horas, sob custódia.

Os receios da presidente da câmara municipal, Petra Roth, que anulou uma viagem à América do Sul, neste fim-de-semana, para acompanhar de perto a situação, também já tinham sido justificados com os graves confrontos que se verificaram noutra manifestação contra o capitalismo na capital financeira da Alemanha, em finais de Março.

Justificando a escolha de Frankfurt, sede do Banco Central Europeu, para levar a cabo os seus protestos, os organizadores do Blockupy afirmaram que pretendiam mostrar resistência, num dos seus locais de origem, "contra um regime de crise que lança milhões de pessoas na miséria em muitos países da Europa".

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