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Correio da Manhã

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Mais uma noite de violência em Paris

As acções violentas e os confrontos entre grupos de jovens e a Polícia regressaram a noite passada a seis comunas dos arredores de Paris, com agentes apedrejados e lojas e carros a serem incendiados, numa altura em que as autoridades estão ainda longe de controlar a situação, como havia prometido o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy.
3 de Novembro de 2005 às 09:13
Violência já alastrou a outros bairros degradados dos subúrbios de Paris
Violência já alastrou a outros bairros degradados dos subúrbios de Paris FOTO: Le Floc/Travers/Epa
Uma semana depois da morte acidental de dois adolescentes de origem magrebina, de 15 e 17 anos, durante uma alegada perseguição policial após um assalto, com os rapazes a morreram electrocutados depois de se terem refugiado dentro de uma subestação eléctrica, a periferia Norte de Paris viveu ontem a sétima noite de distúrbios.
Na sequência deste incidente ocorrido no bairro de Clichy-sous-Bois, grupos de jovens saíram para as ruas cometendo todo o tipo de distúrbios, incendiando caixotes de lixo e automóveis e desafiando as forças da ordem. Uma situação agravada quando o ministro Nicolas Sarkozy, numa intervenção desastrosa, afirmou não ter medo nem recuar perante a “escumalha”.
Esta intervenção acabou por funcionar como gasolina num incêndio e os distúrbios multiplicaram-se rapidamente alastrando a outros bairros dos subúrbios de Paris habitados maioritariamente por imigrantes, seus descendentes e famílias pobres. Na sequência do sucedido, o governante tem estado sob fortes críticas da oposição e mesmo de alguns colegas de governo.
Além de actos de vandalismo contra várias lojas e automóveis, ontem foram mesmo registados disparos feitos por um desconhecido e na localidade de Aulnay-sous-Bois foi saqueada uma esquadra da Polícia habitualmente encerrada durante a madrugada. Os incêndios ateados durante a noite causaram também estragos numa escola e num ginásio.
No bairro de Bobigny, onde está instalada a sede da Prefeitura que agrupa várias das localidades onde têm ocorrido distúrbios, os amotinados saquearam várias lojas de um centro comercial. Durante a onda de violência, um bombeiro sofreu queimaduras de segundo grau, depois de ter sido atingido por um ‘cocktail molotov’ quando tentava apagar um incêndio.
Apesar de ontem o presidente francês, Jacques Chirac, ter quebrado o seu silêncio sobre estes distúrbios, apelando à calma e ao diálogo para resolver a crise, e de o governo ter prometido medidas mais enérgicas para enfrentar os amotinados, a verdade é que a violência regressa às ruas noite após noite, não dando mostras de acalmia.
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