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Mais de mil índios tornam-se professores no Brasil

Indígenas formados tiveram mais de três mil horas de aulas, apurou o CM.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 2 de Setembro de 2014 às 15:26
índios, brasil
índios, brasil FOTO: REUTERS/Odair Leal

Numa cerimónia que emocionou muita gente por ser o culminar de inúmeras histórias de superação, 1870 índios brasileiros receberam os seus diplomas de professor depois de cinco anos de curso e longas distâncias percorridas desde as suas aldeias isoladas, no meio da selva, até aos vários campus da Universidade Estadual do Amazonas (UEA). A cerimónia decorreu na sede da UEA, em Manaus, capital do estado do Amazonas, e foi transmitida ao vivo para 52 municípios do interior daquele estado, que fica no coração da floresta amazónica.

O Correio da Manhã apurou que, ao todo, os indígenas formados tiveram 3310 horas de aulas, quer nos campus da UEA espalhados pelo imenso estado do Amazonas, quer através de aulas por televisão, assistidas pelos alunos nas regiões mais remotas em escolas instaladas em comunidades isoladas. Foi através desses equipamentos tecnológicos de ensino à distância que amigos, familiares e professores locais assistiram com orgulho à entrega dos diplomas aos novos docentes.

Denominado Curso Superior de Pedagogia Intercultural, o curso foi criado e delineado especialmente para formar professores das várias etnias indígenas do Amazonas – um dos estados brasileiros onde há mais índios – e representantes de outros povos tradicionais, como os descendentes de escravos e os ribeirinhos, pessoas que vivem em comunidades isoladas e muito distantes à beira dos grandes rios que cortam a Amazónia. Todos eles agora vão passar o que aprenderam na UEA aos outros habitantes das comunidades onde nasceram ou vivem, no interior da selva, espalhando o conhecimento de acordo com as tradições e cultura específicas das suas gentes.

Enquanto primeiro curso superior de formação de professores exclusivamente pensado para corresponder à realidade dos índios e outros povos tradicionais que vivem longe das cidades, o Curso Superior de Pedagogia Intercultural foi dado fora dos horários normais das aulas regulares da universidade. Foram usados horários alternativos, como por exemplo durante os períodos de férias dos cursos comuns, noites e fins de semana.

Ao longo de cinco anos, vários professores, funcionários da UEA e candidatos a professor deixaram de ter dias de lazer e de repouso para concretizarem o projeto. Integrado no Programa de Formação de Indígenas, que visa garantir o acesso dos povos mais isolados à educação, o novo curso vai agora proporcionar uma pós-graduação em várias áreas aos novos docentes que quiserem continuar a investir na carreira.

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