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"Mal educados, ignorantes, agressivos": Boris Johnson descreve filhos de mães solteiras

Primeiro-ministro britânico nomeia ainda como ‘fracos’ os homens incapazes de ‘controlar’ as suas mulheres.
Correio da Manhã 28 de Novembro de 2019 às 10:05
Johnson esperava uma subida dos liberais à custa do eleitorado trabalhista
Johnson esperava uma subida dos liberais à custa do eleitorado trabalhista FOTO: Pool/Reuters

Boris Johson descreveu os filhos de mães solteiras como "mal educados, ignorantes, agressivos e ilegítimos" e a afirmação está a gerar uma onde de indignação.

Numa coluna escrita para a revista britânica The Spectato, em agosto de 1995, o líder conservador disse que era "deprimente que os casais pagassem pelo desejo da 'mãe solteira' de procriar independentemente dos homens".

Mas não se ficou por aqui. Boris nomeou ainda como ‘fracos’ os homens incapazes de ‘controlar’ as suas mulheres, argumentando que a Grã-Bretanha precisa "restaurar o desejo das mulheres de se casar".

Com as eleições a aproximarem-se, a procuradora-geral do Partido Trabalhista, Shami Chakrabarti, acusa Johnson de atacar as mães solteiras e defender o assédio sexual.

De acordo com o primeiro-ministro são esses filhos que "pagarão as nossas pensões" e sugere cortes bruscos de benefícios para combater a gravidez na adolescência.

"Deve ser aceitável que, se tiver um bebé fora do casamento signifique destituição infalível numa escala vitoriana, as meninas possam realmente pensar duas vezes em ter um bebé", diz Boris Johnson acrescentando que "no entanto, nenhum Governo - e certamente nenhum Governo Trabalhista - terá a coragem de fazer os cortes necessários para impedir isso".

Para Johnson, nove em cada dez mulheres continuarão a fazé-lo devido às "suas vidas monótonas e deprimentes, elas querem uma criatura para amar".

Este artigo não é a primeira peça do jornal que levou o britânico a enfrentar acusações de sexismo. 

Também numa coluna de 2001, Boris falou sobre o grande número de mulheres atraentes que havia encontrado num baile de inverno dos conservadores. "Há um aspeto que hesito em mencionar: desde a última vez que me disseram, a mulher do editor do Economist cancelou a sua assinatura do Daily Telegraph em protesto contra o meu sexismo grosseiro", escreveu. "É o que é chamado de ‘Tottometer’, o contador geográfico que deteta mulheres bonitas".

Para Chakrabarti, alguém que defende efetivamente o assédio sexual, não pode ser primeiro-ministro. "Alguém cujas atitudes em relação às mulheres saem da idade das trevas não está apto para ser o primeiro-ministro", disse a procuradora-geral.

O jornal Independent entrou em contato com Johnson para comentar o caso ao qual o principal respondeu ter direito à liberdade de expressão. Com o aproximar das eleições, o Partido Trabalhista diz querer agora mostrar as atitudes de ‘idade das trevas’ do primeiro-ministro em relação às mulheres.

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