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Correio da Manhã

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Maliki zangado com Bush

Qualquer êxito alcançado no Iraque será um êxito para os EUA e para o presidente Bush. E vice-versa.” A ‘indirecta’ do primeiro-ministro iraquiano Nouri al-Maliki é bem clara, assim como o seu destinatário. Farto das críticas e ameaças veladas da administração Bush, o chefe do governo iraquiano passou ao ataque, acusando a Casa Branca de não apoiar a cem por cento os esforços de Bagdad para acabar com a violência.
19 de Janeiro de 2007 às 00:00
O primeiro-ministro do Iraque, Nouri  al-Maliki
O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki FOTO: d.r.
Reagindo às críticas de Bush, que afirmou recentemente que “falta maturidade” ao governo de Bagdad, al-Maliki reclamou, em entrevista ao ‘Los Angeles Times’, um maior apoio político da parte de Washington, afirmando que as sucessivas críticas e manifestações de falta de confiança apenas fazem o ‘jogo’ dos terroristas. “Gostávamos de receber mais incentivos e mensagens de apoio da parte dos EUA, para que os terroristas não se sintam confiantes e julguem que estão a ter sucesso”, afirmou.
Recorde-se que o governo iraquiano tem sido duramente criticado pela Administração Bush por não conseguir travar a violência. A secretária de Estado Condoleezza Rice chegou mesmo a afirmar recentemente que al-Maliki poderia ser afastado se não apresentasse resultados.
As críticas de Rice não ficaram sem resposta. “Parece-me que Bush perdeu um pouco o controlo. Eu compreendo que existe uma espécie de crise na administração norte-americana, especialmente depois dos resultados das últimas eleições. Mas acredito que este tipo de declarações apenas reforçam o moral dos terroristas”, afirmou al-Maliki.
MAIS ARMAS
O primeiro-ministro iraquiano exigiu ainda que Washington cumpra os acordos que fez com o governo de Bagdad com vista ao fornecimento de armas e outros meios às forças de segurança iraquianas, afirmando que esse seria um passo importante para controlar a violência. “Se esse acordo fosse cumprido, julgo que dentro de três a seis meses a necessidade da presença das tropas norte-americanas seria drasticamente reduzido”, afirmou.
O chefe do governo de Bagdad referiu-se ainda às críticas de Bush e à forma como foi conduzida a execução de Saddam Hussein, afirmando que tanto ele como os seus cúmplices tiveram direito a um “julgamento justo”, e foram tratados “com mais respeito que as suas vítimas”.
VIOLÊNCIA EM BAGDAD
O presidente Bush deu 'luz verde' ao Exército para prender os líderes das milícias religiosas e políticas implicados na violência sectária e no incitamento à limpeza étnica. Estão envolvidos na violência o Exército de Mahdi (xiita), o Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque (SCIRI, xiita), o Partido Islâmico (sunita) e a Associação de Clérigos Islâmicos (MSA, sunita).
MOQTADA AL-SADR
É o líder do Exército de Mahdi, composto por cerca de 60 mil homens e sediado em Sadr City. Os seus seguidores detêm 30 dos 275 lugares do Parlamento.
FINANCIAMENTO
As milícias são financiadas pelos salários de trabalhadores-'fantasma' dos Ministérios dos Transportes, Saúde e Agricultura, controlados pelo partido de al-Sadr.
SERVIÇO DE PROTECÇÃO DE INSTALAÇÕES
Serviço de segurança criado pelos EUA e que conta com cerca de 145 mil homens. Está ligado aos esquadrões da morte
ABDEL AZIZ AL-HAKIM
Líder do SCIRI. Controla o Ministério do Interior e a Brigada de Badr, que está alegadamente envolvida em assassinatos sectários.
SADR CITY
Subúrbio degradado xiita com mais de dois milhões de habitantes. Todas as famílias foram convidadas a oferecer um membro do sexo masculino entre os 15 e os 45 anos para servir no Exército de Mahdi. Isto poderá representar um aumento de cem mil combatentes para enfrentar as tropas dos EUA.
"COMBATE À VIOLÊNCIA SERÁ IMPARCIAL"
Várias vezes criticado por mostrar mais vontade política para combater os militantes sunitas do que as milícias controladas pelos seus aliados xiitas, Nouri al-Maliki, também ele xiita, assegurou que os esforços do governo são “imparciais” e deu como exemplo o facto de nas últimas semanas terem sido detidos em Bagdad mais de 400 homens pertencentes às milícias do clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr. “Não vamos permitir que qualquer político interfira na implementação do plano de segurança para Bagdad, quer seja sunita ou xiita, árabe ou curdo, faça parte de uma milícia ou partido político, seja insurgente ou terrorista”, assegurou.
SOLTAS
SENADO CONTRA PLANO
Três senadores norte-americanos – dois democratas e um republicano – vão apresentar uma resolução para se oporem ao envio de mais tropas para o Iraque, previsto na nova estratégia delineada pela Casa Branca. Uma resolução idêntica está a ser preparada na Câmara dos Representantes.
IRÃO CONDENA ‘RAPTO’
O governo iraniano acusou ontem os EUA de “sequestrarem” cinco diplomatas iranianos que foram detidos na semana passada por tropas norte-americanas na cidade de Erbil, no Curdistão iraquiano. Os EUA alegam que os iranianos estavam a preparar ataques contra as forças da coligação e do governo iraquiano.
ATAQUES MATAM 17
Uma nova vaga de ataques terroristas em Bagdad provocou ontem pelo menos 17 mortos e mais de 40 feridos. O ataque mais grave ocorreu num mercado no centro da capital iraquiana e causou dez mortos.
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