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Manifestação contra fraude

A menos de uma semana das eleições gerais em Angola, Luanda foi ontem palco de uma grande manifestação da UNITA contra as irregularidades na organização do processo eleitoral. Em discurso perante milhares de pessoas, o líder do partido, Isaías Samakuva, prometeu novas marchas para esta semana e reiterou a proposta de adiamento da votação, por um mês se necessário.

26 de Agosto de 2012 às 01:00
Apoiantes da UNITA nas ruas da capital angolana
Apoiantes da UNITA nas ruas da capital angolana FOTO: Paulo Novais/Lusa

"Não queremos outra coisa que não seja eleições pacíficas, livres da intolerância e da intimidação, democráticas e feitas de acordo com a lei", afirmou Samakuva durante uma alocução de 30 minutos que o levou ainda a repetir que mais vale adiar do que falsificar o voto. Samakuva reiterou igualmente críticas à Comissão Nacional Eleitoral (CNE) e ao MPLA, do presidente José Eduardo dos Santos.

Uma das denúncias mais graves é de que se planeia viciar os resultados fazendo o escrutínio fora das assembleias e não permitindo a distribuição de cópias das actas de cada assembleia aos representantes de todos os partidos assim que a contagem termina. "A contagem tem de ser mesmo ali. Ninguém vai levar uma urna da assembleia para ir contar lá fora. Não vamos aceitar", disse.

Dezenas de populares e militantes de outros partidos uniram-se ao protesto da UNITA, cuja concentração teve início a meio da manhã junto ao cemitério do Santana para depois desfilar rumo ao largo da Família.

Refira-se que uma manifestação não autorizada de ex--militares que deveria partir do mesmo local da capital angolana para exigir o pagamento de vencimentos em atraso, foi desconvocada. Segundo os organizadores, "não se quis dar motivos ao regime para relacionar a luta dos ex-militares com as reivindicações da UNITA".

POLÍCIA REPATRIA TRÊS DEZENAS DE CHINESES

Trinta e sete cidadãos chineses suspeitos de prática de crimes violentos em Angola foram ontem repatriados, no âmbito da primeira operação realizada em conjunto pelas polícias angolana e chinesa e envolvendo mais de 400 agentes.

Os suspeitos estão indiciados por raptos, assaltos, chantagem, tráfico de pessoas e prostituição, segundo referiu o Ministério chinês da Segurança Pública.

Refira-se que, segundo dados revelados em 2011 pelo ministro angolano do Interior, Sebastião Martins, trabalham em Angola 259 mil chineses, constituindo a maior comunidade estrangeira no país.

DISCURSO DIRECTO

"QUERIA UMA MUDANÇA", Kika Santos, cantora e compositora 

Correio da Manhã - O que espera destas eleições?

Kika Santos - É difícil ter expectativas quando se sabe o que vai acontecer. O que eu gostava que acontecesse era uma mudança no governo e na gestão do país, que se tem desenvolvido sim, mas não para todos...

- Há condições para uma votação livre e democrática?

- Tenho dúvidas. O passado mostra-nos que nunca houve. Por muito que haja o desejo de transparência máxima, falta o resto.

- Angolanos no estrangeiro deveriam votar?

- Todo o angolano tem o dever e o direito de votar. É fundamental que cada um estabeleça a sua posição no seu país.

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