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Correio da Manhã

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Manifestantes rejeitam acordo

Ao 15º dia de protestos, o movimento popular da praça Tahrir, no Cairo, encontrou finalmente o seu líder: Wael Ghonim, o jovem executivo da Google que ajudou a organizar os primeiros protestos contra Mubarak e, por causa disso, passou 12 dias algemado e vendado nas mãos da polícia secreta de Hosni Mubarak.
9 de Fevereiro de 2011 às 00:30
Wael Ghonim levou mais de 200 mil pessoas à praça Tahrir, na capital egípcia
Wael Ghonim levou mais de 200 mil pessoas à praça Tahrir, na capital egípcia FOTO: Yanis Behrakis/Reuters

Mobilizados pelas suas palavras e, principalmente, pelas suas lágrimas, os manifestantes voltaram ontem a encher a praça Tahrir para exigir a partida imediata do presidente, recusando qualquer tipo de concessões ou reformas para ganhar tempo.

Segunda-feira, pouco depois de ser libertado, Ghonim chorou na televisão ao saber que dezenas de pessoas foram mortas por causa da revolução que ajudou a lançar. As suas lágrimas fizeram mais do que todos os discursos da oposição. Em poucas horas, uma página do Facebook que propunha Ghonim como líder da revolta ganhou mais de 130 mil adeptos. Ontem, após vários dias em que os protestos pareciam estar a esmorecer, a praça Tahrir voltou a rebentar pelas costuras: mais de 200 mil pessoas juntaram-se para ouvir Ghonim, incluindo muitas que participaram nos protestos pela primeira vez. "Alguma coisa de grande está a acontecer. Centenas de pessoas foram mortas nos protestos e Mubarak nem sequer pediu desculpa. As lágrimas de Ghonim foram muito mais sinceras", afirmou à Reuters o analista e blogger Zainab Mohamed.

Ghonim é jovem, como a esmagadora maioria daqueles que exigem a mudança, e não está ligado a partidos. "Não sou um herói. Aqueles que morreram é que são os heróis. Apenas fizemos aquilo que as nossas consciências nos ditavam", disse à multidão.

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