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Marcelo Rebelo de Sousa espera "avanços concretos" e diz que direitos humanos serão reafirmados

Presidente da República encontra-se a realizar uma visita à Índia.
Lusa 13 de Fevereiro de 2020 às 17:22
Marcelo Rebelo de Sousa com a embaixadora da Índia em Portugal, Nandini Singla
Marcelo Rebelo de Sousa com a embaixadora da Índia em Portugal, Nandini Singla FOTO: Estela Silva/Lusa
O Presidente da República afirmou esta quinta-feira que está na Índia para abrir caminho a "avanços concretos" e manifestou-se certo de que durante esta visita os direitos humanos "não deixarão de ser reafirmados pelos dois países".

"Projetos concretos com avanços concretos. É esse o objetivo da visita", declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, num hotel de Nova Deli, depois de ter aterrado na capital indiana, para uma visita de Estado que decorrerá até domingo.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, esta sua deslocação à Índia enquadra-se "numa fase mais executiva" das relações bilaterais, "mais virada para o concreto, para a cooperação económica e financeira, para a cooperação científica e tecnológica".

"Há acordos que vão ser celebrados", salientou.

Questionado sobre a linha nacionalista hindu do Partido do Povo Indiano (BJP), a que pertencem o primeiro-ministro Narendra Modi e o Presidente da Índia, Ram Nath Kovind, e a contestação que tem gerado, o chefe de Estado começou por responder: "Eu normalmente não comento problemas da política interna dos países que visito".

"Mas no plano das relações multilaterais nós temos conjugado esforços permanentemente, a nível governamental, como a nível de chefias de Estado, para prosseguir certas perspetivas que são comuns, como seja o multilateralismo, como seja a defesa dos direitos humanos, como seja a consagração do direito internacional, como seja a afirmação do primado da dignidade das pessoas", considerou.

"Índia e Portugal, temos estado juntos na afirmação desses princípios, que não deixarão de ser reafirmados pelos dois países durante esta visita", acrescentou.

O Presidente da República recordou as visitas de Estado dos seus antecessores Mário Soares e Aníbal Cavaco Silva à Índia, em 1992 e 2007, respetivamente, referindo que a primeira "correspondeu à afirmação das relações diplomáticas e do estreitamento de laços" e a segunda "foi o aprofundamento dessa cooperação", sobretudo "no plano político-diplomático".

Marcelo Rebelo de Sousa disse que "esta visita de Estado à Índia representa uma terceira fase no relacionamento entre os dois países no quadro das duas democracias", com "objetivos muito concretos", no seguimento das visitas recíprocas dos primeiros-ministros António Costa e Narendra Modi desde 2017.

"São objetivos muito focados na presença da Índia em Portugal, na economia, na sociedade e na cultura portuguesas, e na presença de Portugal também aqui na economia, na sociedade e no mundo cultural da Índia. Nesse sentido, penso que há passos que foram sendo dados nos últimos quatro anos que poderão conhecer nesta visita uma continuação, e que prosseguirá até à presidência portuguesa da União Europeia [no primeiro semestre de 2021]", adiantou.

Em vésperas desta visita, entrevistado por um canal de televisão público indiano, o Presidente da República qualificou como "estrategicamente muito importante" para a União Europeia um acordo de comércio livre com a Índia, que está em negociação, e prometeu que Portugal lutará por isso.

Ao mesmo tempo, defendeu que Portugal e Índia devem celebrar "um acordo bilateral para o investimento".

De acordo com o chefe de Estado, "vê-se um interesse muito grande inclusive de líderes máximos de grandes grupos empresariais indianos em falarem com o Presidente português".

Pela sua parte, mostrou-se empenhado em "encontrar o maior número de empresários na Índia" e em colocar "em contacto o maior número de empresários portugueses com esses empresários indianos".

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