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MÁRTIR PORTUGUÊS A CAMINHO DO ALTAR

Na semana em que se assinalam os 25 anos de pontificado do Papa João Paulo II e a dois dias da beatificação da veneranda Madre Teresa de Calcutá, surge a confirmação de que há um mártir português a caminho dos altares.
17 de Outubro de 2003 às 00:00
Trata-se do venerável Manuel José de Sousa, frade da ordem de La Salle, nascido em Dezembro de 1860, em Bouro Santa Marta, Amares, e que, a 28 de Julho de 1936, foi fuzilado pelos ‘vermelhos’, em Griñon (a 30 quilómetros de Madrid), no período mais sangrento da Guerra Civil de Espanha.
Apesar de não haver certeza absoluta, é muito provável que Manuel José de Sousa, conhecido na ordem de La Salle por Irmão Mário Félix, nome que adoptou ao tornar-se frade, seja o único português mártir da Guerra Civil Espanhola.
Este religioso, nascido e criado nas encostas rurais da Senhora da Abadia, entre as freguesias de Vilela e Santa Marta de Bouro, foi brutalmente fuzilado, juntamente com outros dez companheiros, integrando o grupo dos chamados ‘onze mártires de Griñon’, cujo processo de beatificação se encontra bloqueado há mais de 25 anos na Santa Sé.
Há cerca de três anos, o cónego bracarense Narciso Fernandes, numa visita que fez ao colégio de La Salle em Griñon, descobriu que, na lápide dos onze mártires, havia um nome português. Por curiosidade, pediu informações mais detalhadas sobre o Irmão Mário Félix, verificando que se tratava de um frade praticamente seu conterrâneo, oriundo de Bouro, no Minho. A partir desta informação, lançou-se numa aturada investigação de mais de dois anos e que resultou na publicação de um pequeno livro, ontem mostrado ao Correio da Manhã e enviado para o Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.
Revelando que as informações constantes da publicação, que vai ser oficialmente apresentada no domingo em Bouro Santa Marta já são do conhecimento de D. José Saraiva Martins, o cónego Narciso Fernandes mostrou-se convencido que, “a beatificação destes onze mártires, dado, nestes casos, não ser obrigatória a prova de milagre, possa acontecer dentro de um ou dois anos”.
PORTUGUESES EM VIAS DE BEATIFICAÇÃO
BALASAR
A Arquidiocese de Braga acredita que Alexandrina Maria da Costa - a ‘santa de Balasar’ - poderá ser beatificada num prazo máximo de dois anos. O Vaticano já confirmou o milagre da cura de uma mulher que sofria da doença de Parkinson. Alexandrina nasceu a 30 de Março de 1904 e morreu a 13 de Outubro de 1955, em Balasar, Póvoa de Varzim. Viveu 30 anos acamada. Nos últimos 13 apenas se alimentou da hóstia consagrada.
ARRIFANA
O processo de beatificação de Ana de Jesus Maria José de Magalhães - ‘santinha de Arrifana’- nascida em Santa Maria da Feira, em 1811, foi iniciado a 7 de Maio de 1915. Ficou acamada aos 16 anos e assim permaneceu 48 anos, comendo pão de trigo, chá e leite, apenas às terças, quintas e domingos. Segundo testemunhos escritos, depois de receber a comunhão elevava-se da cama, ficando o seu corpo totalmente suspenso.
PADRE CRUZ
O Padre Cruz é um dos casos de maior popularidade em Portugal. Francisco Rodrigues da Cruz nasceu em Alcochete no ano de 1859 e morreu em Lisboa em 1948. Pregou de norte a sul do País, valorizando a oração e o terço (”rezar até já não se poder mais”), a humildade e a piedade. Confessou e deu a Primeira Comunhão à Irmã Lúcia, de Fátima. O processo de beatificação está concluído e aguarda apenas decisão papal.
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