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Máscaras artesanais para combate ao coronavírus promovem panos tradicionais em Cabo Verde

Duas costureiras dão forma a máscaras no bairro de Achada Grande Frente, na cidade da Praia.
Lusa 5 de Maio de 2020 às 07:39
Máscaras artesanais para combate ao coronavírus promovem panos tradicionais em Cabo Verde
Máscaras artesanais para combate ao coronavírus promovem panos tradicionais em Cabo Verde
Máscaras artesanais para combate ao coronavírus promovem panos tradicionais em Cabo Verde
Máscaras artesanais para combate ao coronavírus promovem panos tradicionais em Cabo Verde
Máscaras artesanais para combate ao coronavírus promovem panos tradicionais em Cabo Verde
Máscaras artesanais para combate ao coronavírus promovem panos tradicionais em Cabo Verde
Máscaras artesanais para combate ao coronavírus promovem panos tradicionais em Cabo Verde
Máscaras artesanais para combate ao coronavírus promovem panos tradicionais em Cabo Verde
Máscaras artesanais para combate ao coronavírus promovem panos tradicionais em Cabo Verde
Duas costureiras cabo-verdianas dão forma a máscaras artesanais no bairro de Achada Grande Frente, na cidade da Praia, um projeto adaptado à crise provocada pelo novo coronavírus, que oferece esses equipamentos aos mais necessitados da comunidade.

A produção de máscaras artesanais é uma iniciativa do projeto comunitário Xalabas di Kumunidadi, cofinanciado pela União Europeia e desenvolvido pelas associações cabo-verdianas África 70 e Pilorinhu no bairro de Achada Grande Frente.

Habituado a vários projetos, e duradouros, a Associação Pilorinhu foi obrigada a adiar ou cancelar as suas atividades por causa das restrições impostas pelo novo coronavírus, mas em finais de abril adaptou-se a passou a produzir máscaras no seu laboratório de costura.

"Tentámos juntar a necessidade de manter em funcionamento as atividades da associação e as mulheres que trabalham no atelier e, ao mesmo tempo, dar resposta a exigência das máscaras, que é uma necessidade muito forte, porque já não são encontradas no mercado", disse à agência Lusa Mariangela Fortuno, coordenadora do projeto Xalabas di Kumunidadi.

Com início em 21 de abril, as duas costureiras, com apoio de outras pessoas, produzem em média cerca 40 máscaras por dia, segundo a coordenadora, para quem até agora já foram feitas e entregues "centenas" desses equipamentos de proteção individual, que são recomendados e em alguns casos obrigatórios em Cabo Verde.

"Estamos num regime de emergência e devemos evitar que as pessoas saem para irem, por exemplo, às farmácias à procura de máscaras", prosseguiu, considerando, indicando que podem ser usadas ainda para deslocações ao local de trabalho, às lojas, para outras atividades indispensáveis.

As máscaras do projeto Xalabas são em algodão, laváveis e reutilizáveis, com duas camadas de tecido, bolso para colocação de filtro substituível e ajuste para o nariz.

Com muitas cores e tamanhos, feitas do tradicional pano de terra, podem ser usadas por homens, mulheres e crianças.

Apesar de ainda não serem certificadas a nível nacional, Mariangela Fortuno avançou que, antes de começarem a produzir as máscaras, foram feitas pesquisas, com base em regulamentos utilizados, por exemplo, em Portugal, Brasil, e outros países.

O objetivo é oferecer metade dos equipamentos às pessoas e famílias mais carenciadas do bairro de Achada Grande Frente, o primeiro para quem chega à cidade da Praia por via do Aeroporto Internacional 'Nelson Mandela', e que enfrenta vários problemas sociais.

A outra parte, segundo a coordenadora, é para venda, por encomenda, por um preço simbólico de 200 escudos cabo-verdianos (1,8 euros) -- "ou o que a pessoa achar melhor" -, cujos fundos arrecadados são para cobrir os custos da produção e distribuição e, assim, dar sustentar o projeto.

As máscaras são oferecidas com um folheto informativo, com os cuidados na sua utilização, conservação e higienização, referiu a coordenadora, sublinhando que são um "complemento" de outras medidas de proteção e de higienização recomendadas e das regras de distanciamento social para prevenir contra a covid-19.

Além das máscaras, Mariangela Fortuno disse que um grupo de voluntários da Associação Pilorinhu vai produzir viseiras de proteção, e os primeiros 50 equipamentos vão ser oferecidos ao Hospital Agostinho Neta, na Praia.

Cabo Verde conta até hoje 165 casos acumulados de covid-19, distribuídos pelas ilhas de Santiago (106), Boa Vista (56) e São Vicente (três).

Do total de casos, registaram-se 33 recuperados, dois óbitos e dois doentes que viajaram para os seus países, fazendo com que o país tenha 128 casos ativos e em isolamento hospitalar.

As ilhas de Santiago e da Boa Vista, que juntas somam um total de 162 casos acumulados, entraram domingo no terceiro período de estado de emergência em Cabo Verde, em vigor até ao final do dia 14 de maio.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou cerca de 250 mil mortos e infetou perto de 3,5 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Mais de um milhão de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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