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Correio da Manhã

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Massacre em mesquitas da Nova Zelândia mata dezenas de muçulmanos

Terrorista filmou e transmitiu o ataque em direto no Facebook.
F.J.G. 16 de Março de 2019 às 09:26
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Terrorista filmou e transmitiu o ataque em direto no Facebook.
Um ataque a duas mesquitas de Christchurch, na Nova Zelândia, fez esta sexta-feira 49 mortos e mais de 40 feridos. O autor do ataque é um supremacista branco australiano que filmou e transmitiu em direto, no Facebook, as imagens do massacre.

Identificando-se como Brenton Tarrant, de 28 anos, o atirador publicou na internet um longo manifesto de 74 páginas no qual se descreve como "fascista e etnonacionalista" [peça ao lado].

As imagens do vídeo mostram o atirador no carro, enquanto ouve música nacionalista sérvia. Depois de estacionar, retira uma arma automática da bagageira e começa a disparar à entrada da mesquita Al-Noor. Continua a disparar no interior e persegue os fiéis que escapam da sala principal de oração para as salas laterais. Quando fica sem munições volta ao carro, pega em novas armas e volta para balear sobreviventes feridos. Ao todo mata 41 pessoas.

Pensa-se que depois terá partido para outra mesquita, no bairro de Linwood, onde outras sete pessoas morreram. Um ferido faleceu depois no hospital.

"Entrou e começou a disparar para todos os lados", afirmou Ahmad Al-Mahmoud, dizendo que ele e outros escaparam ao partir uma porta de vidro.

O tiroteio terá começado quando o clérigo que dirigia a oração começou o sermão. "Ouviam-se gritos e choros. Vi muitas pessoas a cair mortas", contou outro sobrevivente.

Ao que se sabe, Tarrant levou dois anos a preparar um ataque contra os muçulmanos. Vivia há meses na Nova Zelândia, que terá escolhido apenas para treinar os futuros ataques. Desconhece-se o que o levou a decidir atacar naquele país e também se houve algum critério para escolher as mesquitas Al-Noor e a de Linwood.

PORMENORES
Mensagem na internet
Pouco antes dos ataques, pelas 13h30 (00h30 TMG) uma mensagem anónima num fórum online alertou para o ataque: "Vou atacar os invasores e vou filmar e transmitir em direto no Facebook."

Suspeitos detidos
A polícia prendeu quatro suspeitos do ataque, três homens e uma mulher, mas só três ficaram detidos e somente um deles foi acusado de homicídio.

Segurança máxima
Um país habituado à paz pôs em marcha um dispositivo de segurança máxima e ordenou o encerramento preventivo de todas as mesquitas do país.

Arsenal de guerra e bombas no carro
Além de inúmeras armas automáticas e carabinas, o terrorista transportava no carro que usou nos ataques líquidos inflamáveis e bombas que a polícia desativou.

Atirador tinha licença de porte de arma
O principal suspeito do ataque tinha cinco armas em seu nome e tinha licença de porte de arma, afirmou a PM neozelandesa, anunciando que lei de armas vai mudar.

Hino nacionalista sérvio e inscrições radicais nas armas
Quando ia a caminho do local do primeiro massacre Brenton Tarrant ouvia no carro uma música sérvia usada por milícias que executaram muçulmanos na Guerra dos Balcãs. Nas armas, pintou inscrições racistas e alusivas à guerra contra o Islão.

Atirador afirma-se europeu de herança cultural e de sangue
"A minha educação interessou-me pouco quando estava na escola. Fiz só algumas disciplinas e nunca frequentei a universidade. Não tinha interesse por nada do que pudesse estudar aí." Este retrato autobiográfico foi partilhado por Brenton Tarrant na internet e nele o autor do massacre na Nova Zelândia afirma-se "etnonacionalista e fascista".

Australiano natural de Grafton, descreve-se como "um simples homem branco, oriundo de uma família normal que decidiu tomar uma posição para garantir o futuro do meu povo".

O terrorista descreve as origens europeias da sua família: "Os meus pais têm ascendência escocesa, irlandesa e inglesa. Tive uma infância normal, sem grandes problemas."

Dá ainda uma explicação racista para justificar o facto de, como imigrado na Nova Zelândia, não ser igual aos que designa como invasores muçulmanos: "As origens da minha língua são europeias, a minha cultura é europeia, as minhas convicções são europeias, a minha identidade é europeia e, mais importante ainda, o meu sangue é europeu."
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