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Correio da Manhã

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MASSACRE EM RAFAH

Tanques e helicópteros israelitas abriram fogo esta quarta-feira sobre uma manifestação de civis palestinianos no campo de refugiados de Rafah, no território autónomo da Faixa de Gaza. O incidente ocorre no âmbito de uma acção de demolições em larga escala, apoiada pela maior operação militar lançada por Israel desde 1967.
19 de Maio de 2004 às 15:16
O ataque ocorreu quando cerca de meio milhar de pessoas, oriundas da cidade de Rafah e do campo de refugiados, protestavam no bairro de Tal Al-Sultan contra o Exército israelita, que ocupa a cidade há cerca de dois dias.
Testemunhas palestinianas afirmam ter visto sangue e pedaços de corpos voarem pelas ruas de Rafah. Estas testemunhas encontravam-se entre os manifestantes e salientam que o protesto decorria pacificamente quando se sucedeu o ataque israelita. Um balanço provisório aos ataques de hoje refere mais dez mortes e 45 feridos. A maioria das vítimas são jovens e crianças.
O Exército israelita admite que as mortes podem ter resultado dos disparos realizados por um tanque de combate. Em comunicado, Israel explica que pretendia dispersar os manifestantes palestinianos, disparando tiros de aviso. Primeiro um helicóptero apache disparou um míssil a uma larga distância da multidão, depois foram disparados tiros de metralhadora e de tanques de combate sobre um edifício abandonado.
O Exército israelita disse estar a investigar o ataque, ocorrido no âmbito de uma acção de demolições em larga escala, baptizada ‘Arco Iris’, que já se tansformou na maior ofensiva levada a cabo contra a população palestiniana na Faixa de Gaza desde 1967.
A ofensiva já causou a morte de 33 palestinianos nos últimos dois dias. O hospital local já se encontra lotado, e as mesquitas da cidade lançam repetidos pedidos de doação de sangue. No rescaldo da ofensiva, residentes da cidade cercaram a unidade hospitalar para procurar os seus familiares e amigos.
Entretanto, a organização não-governamental “Médicos pelos Direitos Humanos” disse que o Exército israelita está a impedir a deslocação das ambulâncias entre as cidades de Jan Yunis e Rafah, travando assim a assistência aos feridos.
O Exército cortou o abastecimento de electricidade e água na localidade de Rafah, que tem uma população de 145 mil pessoas, dos quais 87 mil são refugiados.
DECLARAÇÃO DE GUERRA
As reacções ao ataque israelita mostram indignação e dureza. O ministro palestiniano da Saúde, Jawad al Tibi, declarou o estado de emergência em Rafah, depois de condenar a ofensiva israelita, que classificou de assassinato de pessoas que se manifestavam pacificamente.
Por seu lado, a Autoridade Nacional Palestiana pediu ao Conselho de Segurança da ONU para tomar uma decisão “firme” contra Israel e o seu "crime de guerra".
O brigadeiro do Exército israelita Ruth Yaron recusou as acusações de que os disparos sobre os manifestantes foram deliberados. O ministro israelita da Justiça, Yosef Lapid, salientou que apesar do erro da acção do Exército, trata-se de uma tragédia humana e política resultante da presença de Israel "que não pode continuar".
As vozes de contestação à actuação do Exército sucedem-se em Israel. O deputado da oposição Roman Bronfman salientou que o seu país perde legitimidade ao não fazer a distinção entre manifestantes e terroristas.
Os Estados Unidos também já reagiram aos ataques desta quarta-feira. A Casa Branca apelou a Israel para restringir as suas acções em Gaza, demonstrando uma forte preocupação com o número de mortes entre a população palestiniana provocadas pelos ataques iraelitas.
Scott McClellan, porta-voz da Casa Branca, anunciou que a presidência norte-americana já pediu explicações ao governo do primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon.
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