page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Material que reveste edifício destruído em Valência teve influência na propagação das chamas? Especialistas explicam

Também os sofás e cortinados das habitações terão contribuído para a propagação do fogo.

23 de fevereiro de 2024 às 16:46

O edifício destruído pelas chamas na cidade de Valência, em Espanha, era revestido por 'alucobond'.

Num vídeo promocional, a construtora do edifício, a Fbex, destaca "os materiais de excelência e acabamentos de primeira qualidade" do complexo e refere que as fachadas foram "revestidas com um material inovador de alumínio tipo alucobond" , noticiou, esta sexta-feira, o diário El País.

Segundo o jornal espanhol, este material é constituído por um painel formado por duas folhas de alumínio e um enchimento isolante, que pode ser mais ou menos inflamável. 

Esther Puchades, especialista que avaliou o edifício há alguns anos, disse ao El País que a fachada continha poliuretano como isolamento interior.

Já o secretário da Associação [espanhola] da Indústria de Poliuretano Rígido, José Manuel Fernández, refere que há um erro nesta avaliação e que não há poliuretano no edifício.

"Esqueceram-se de dizer que cada painel tem apenas 0,5 mm de alumínio contra 5 mm de polietileno sólido", escreveu também o arquiteto e antigo deputado socialista no parlamento valenciano, David Calvo, na rede social X (antigo twitter).

Segundo o El País, o arquiteto refere que existem milhares de edifícios com o mesmo revestimento em toda a Espanha, uma vez que tem um bom comportamento térmico para isolar tanto o frio como o calor. "Além disso, nessa altura era impensável fazer um edifício com tijolo à vista, que estava associado a um estrato social mais baixo e a tempos mais antigos", afirma.

O engenheiro técnico e especialista em instalações, David Higuera, considera que outros materiais de construção terão ajudado à propagação das chamas e que os danos nos tetos só podem ser explicados pela utilização de isolamentos combustíveis. 

De acordo com a mesma fonte, o edifício começou a ser construído em 2006 e foi concluído em 2008. Na altura em que foi construído, o novo código de construção, que é mais restritivo na utilização de materiais, ainda não tinha entrado em vigor. Foi aprovado em 2006, mas houve um período de transição até se tornar obrigatório e todos aqueles que tinham solicitado uma licença anteriormente, como era o caso, não estavam sujeitos a ela.

Recorde-se que o poliuretano foi o material apontado, inicialmente, como o responsável pela violência e rapidez na propagação das chamas que destruíram o maior edifício de Valência.

Os meios de comunicação espanhóis avançaram que as chamas se propagaram a todo o edifício em 30 minutos e que isso se devia ao facto do poliuretano ser "altamente inflamável".

Ao Correio da Manhã, Joaquim Leonardo, Comandante dos Bombeiros Voluntários de Algueirão-Mem Martins, afirma que "é redutor" dizer que o poliuretano foi a causa do incêndio. O comandante explica que existem vários tipos de poliuretano com maior ou menor inflamabilidade e resistenciabilidade. Acrescentou ainda que o poliuretano é "inflamável como qualquer outro material para revestimento" e que "precisa de muita temperatura para arder". 

Joaquim Leonardo asseverou ainda que a maioria dos edifícios na Europa são revestidos por este material e que também os sofás e cortinados das habitações terão contribuído para a propagação das chamas.

Em qualquer caso, como descreve David Calvo, a utilização deste material teria passado em qualquer controlo porque é legal.

A empresa imobiliária que projetou o edifício, em 2010, declarou falência com uma dívida de 640 milhões de euros. 

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Boa Tarde

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8