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Merkel despede-se dos Balcãs e exorta à cooperação para futura integração na UE

De acordo com o líder da Albânia, Angela Merkel vai fazer falta a esta região europeia.
Lusa 14 de Setembro de 2021 às 21:13
Angela Merkel
Angela Merkel
A chanceler alemã Angela Merkel deslocou-se hoje à Albânia para exortar os líderes dos seis países dos Balcãs ocidentais a reforçarem a sua cooperação regional na perspetiva de uma futura adesão à União Europeia (UE).

Numa viagem de despedida pela região na qualidade de chanceler iniciada na segunda-feira, Merkel elogiou em Tirana as iniciativas de cooperação regional ao considerar que "quanto mais cooperação promoverem, mais forte será o Processo de Berlim", um programa que impulsionou em 2014 para fomentar a cooperação regional entre os países dos Balcãs ocidentais.

"Numa perspetiva geoestratégica, a UE, ou concretamente a Alemanha, tem interesse na adesão à União Europeia dos países [dos Balcãs ocidentais]", disse Merkel em conferência de imprensa.

Os Estados dos Balcãs ocidentais -- Albânia, Bósnia-Herzegovina, Kosovo, Montenegro, Macedónia do Norte e Sérvia -- estão em diversas fases no seu processo de adesão. Os progressos na integração registaram um bloqueio na sequência da oposição de diversos Estados-membros a um novo alargamento, e às turbulências diplomáticas motivadas pelo Brexit, a deserção do Reino Unido.

Na sequência de um veto da Bulgária, um dos 27 Estados-membros, o início das negociações com a Albânia e a Macedónia do Norte foram adiadas, apesar de os dois países já terem garantido os critérios exigidos.

"A UE deve cumprir a sua palavra e evitar apresentar novas condições porque não tem qualquer interesse, talvez devido a razões internas de alguns países, em protelar o processo de adesão. Isso provoca desapontamento e eu entendo esse desapontamento", acrescentou Merkel. "Devemos confiar uns nos outros".

Em Belgrado, a capital da Sérvia que Merkel visitou na segunda-feira, a ainda chanceler alemã assinalou a presença de outros patrocinadores das nações balcânicas, em particular a Rússia e a China, para além da Turquia.

De acordo com o líder da Albânia, Angela Merkel vai fazer falta a esta região europeia.

"Na história desta região, Angela Merkel deixou um marco que se prolongará por décadas", considerou o primeiro-ministro albanês Edi Rama.

O chefe do Governo albanês considerou que em diversos países, os setores nacionalistas e de extrema-direita estão a influir nas decisões dos governos.

"Agora, verifica-se que uma série de nacionalistas de um país tomaram como refém todo o processo de integração", disse Rama, numa referência ao veto búlgaro.

No entanto, Merkel assegurou no decurso das declarações conjuntas que "todos os chanceleres alemães terão o seu coração nesta região", e quando muitos milhares de pessoas dos Balcãs vivem e trabalham na Alemanha, a maior economia da UE.

Merkel não se recandidata à reeleição este ano, após ter dirigido a Alemanha desde 2005. As eleições legislativas no país estão agendadas para 26 de setembro.

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