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MEXICANOS CASTIGAM PRESIDENTE NAS URNAS

O partido do presidente Vicent Fox foi derrotado nas eleições legislativas mexicanas. O Partido da Acção Nacional (PAN) terá sido castigado pela falta de resultados da presidência Fox, o que permitiu o ressurgimento do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que há três anos havia perdido parte do poder absoluto com que governou o México durante sete décadas.

07 de julho de 2003 às 18:41

As eleições de domingo foram as primeiras legislativas após a vitória presidencial de Fox, há três anos, que marcou um significativo ponto de viragem na cena política mexicana. Em jogo no escrutínio de domingo estiveram os 500 lugares na Câmara de Deputados, disputados por 5123 candidatos e igual número de suplentes dos onze partidos participantes, e o poder em seis estados do país e em mais de 440 municípios, sendo chamados a votar quase 65 milhões de eleitores. Quanto aos principais partidos concorrentes, figuraram em lugar de destaque o PAN, o PRI e o PRD (Partido da Revolução Democrática).

Com metade dos votos contados é já evidente que o PRI surge como grande vencedor destas eleições, conquistando mais 15 assentos na Câmara de Deputados, para um provável total de entre 222 a 227, o que lhe dará mais 70 deputados que o segundo maior partido naquela câmara, o PAN, que perdeu 44 assentos e deverá ficar com entre 148 a 158 deputados.

O PAN, que também perdeu o governo do estado de Nuevo Leon, é o grande derrotado destas eleições, sofrendo nas urnas com a falta de concretização das promessas que levaram Fox até à presidência do México. Por muito que o presidente tenha salientado que ele não era candidato a estas eleições, facto é que o voto foi de castigo político ao partido do presidente. Fox já comentou os resultados, apelando as todos os partidos para que construam consensos em prole do desenvolvimento do México e prometendo que os ministros do seu governo irão, a partir de agora, trabalhar mais próximo dos deputados.

O PRI usou a sua (ainda) magra vantagem de assentos no Congresso para, recentemente, bloquear as reformas fiscais, laborais e de energia promovidas por Fox. A vantagem do PRI no Congresso passa agora a ser maior e o partido poderá mesmo tentar formar uma maioria parlamentar, em coligação com o um outro partido, talvez o PRD. O presidente do PRI, Roberto Madrazo, já mostrou disponibilidade para negociar com Fox as reformas económicas pretendidas pelo presidente, mas avisou que desta feita as propostas do seu partido têm mais peso e comentou.

Para Madrazo não sobram dúvidas, estas eleições foram um referendo à presidência Fox e o presidente perdeu. Mas, se fosse um referendo observado segundo as regras portugueses, por exemplo, não seria válido, já que a abstenção rondará os 59%, o que ilustra bem o descontentamento dos mexicanos com os seus políticos.

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