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Miala e adjuntos em greve de fome

O general angolano Fernando Garcia Miala, ex-chefe dos serviços secretos externos, e três dos seus mais directos colaboradores, que se encontram detidos desde a passada sexta-feira na Procuradoria Militar de Luanda, estão em greve de fome desde sábado e recusam vestir a farda da cadeia.
19 de Julho de 2007 às 00:00
Segundo fontes não identificadas na capital angolana, Luanda, a recusa dos detidos em envergarem o fardamento prisional prende-se com o receio de serem eventualmente envenenados através de substâncias tóxicas que podem ser impregnadas na roupa. “Paira o medo do antigo chefe da secreta angolana e seus colaboradores poderem ser mortos como o ex-espião russo Alexander Litvinenko”, adiantou ontem ao Correio da Manhã uma fonte que acompanha o processo. “Como eles são pessoas que conhecem bem os métodos do trabalho dos serviços secretos, têm receio de serem vítimas de contaminação venenosa através da farda prisional, por isso não a querem vestir”, acrescentou a fonte.
Por outro lado, os quatro detidos nas instalações da Procuradoria Militar, em Luanda, não recebem comida do exterior e o contacto com a família continua vedado.
Recorde-se que Miala e a sua equipa foram detidos na passada sexta-feira acusados de desobediência militar por terem faltado a uma cerimónia das suas despromoções. Os quatro são ainda acusados de não terem devolvido trinta telemóveis, aparelhos de escuta e outros materiais dos serviços secretos depois de terem sido demitidos a 24 de Fevereiro de 2006, através de um decreto do presidente Eduardo dos Santos que, na ocasião e ainda hoje, não refere as razões da exoneração. O governo ainda não se pronunciou sobre as quatro detenções.
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