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Correio da Manhã

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MILHARES AMEAÇADOS POR EPIDEMIAS E POLUIÇÃO

Com o recuar das piores “inundações do século”, a Alemanha e a República Checa centram agora as suas atenções nas ameaças de epidemias e poluição, enquanto intensificam os trabalhos de limpeza e reconstrução.
20 de Agosto de 2002 às 22:45
Na República Checa, as águas inundaram ontem o ex-campo de concentração nazi de Theresienstadt, onde estão enterradas mais de dez mil vítimas do Holocausto, criando um enorme “lago” mal cheiroso. Dezenas de bombeiros instalaram de imediato equipamentos especiais e começaram a retirar a água do local.

As estações de tratamento de águas atingidas pelas inundações, bem como o apodrecer de detritos residenciais que circulam nas águas levaram as autoridades a avisar as pessoas para evitar o contacto com as águas, devido à ameaça de surtos de doenças. Em Dresden, onde as águas chegaram a atingir 10 metros de altura, as autoridades médicas estão mesmo a oferecer vacinas contra a hepatite.

Contudo, existe ainda o receio de que uma fábrica de químicos inundada, que na semana passada libertou uma pequena nuvem do gás mortal de cloro, liberte perigosas substâncias no Rio Elba, que possam vir a ameaçar o ambiente e a população. As cidades e vilas circundantes estão em estado de alerta.

A catástrofe na Europa Central atingiu pessoas e animais. Após ter conseguido salvar-se, nadando vigorosamente até ao Mar do Norte, depois do seu aquário no Zoo de Praga ter sido inundado, morreu ontem a foca Gaston, de 12 anos.

Milhões em risco na China

Mais de dez milhões de pessoas estão sob a ameaça de inundações devastadoras, devido à subida das águas do Lago de Dongting, na província de Hunan, na China.

Com a continuação das chuvas torrenciais prevista para os próximos dias e com o engrossar do caudal dos rios que vão desaguar no referido lago, as autoridades receiam o galgar das margens e, consequentemente, o inundar de milhões de casas e de mais de 667 mil hectares de terras de cultivo.

Recorde-se que em 1998 o Dongting e o Rio Yangtze galgaram as margens e mais de quatro mil pessoas perderam a vida. Por sua vez, nestas duas últimas semanas, as inundações e consequentes derrocadas já causaram mais de 100 mortes, no sul da China.
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