Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo

“Milhares morreram [com Covid] sem necessidade”, diz antigo conselheiro do primeiro-ministro do Reino Unido

Antigo conselheiro de Boris Johnson arrasa as políticas do governo para lidar com a pandemia, dizendo que houve um desvalorizar criminoso da gravidade da situação.
Francisco J. Gonçalves 27 de Maio de 2021 às 09:02
Dominic Cummings multiplicou acusações ao primeiro-ministro, descrevendo uma gestão do combate à Coviddesastrosa
Dominic Cummings multiplicou acusações ao primeiro-ministro, descrevendo uma gestão do combate à Coviddesastrosa FOTO: EPA
O antigo conselheiro de Boris Johnson arrasou esta quarta-feira o chefe de governo na comissão de inquérito da Câmara dos Comuns sobre o combate à pandemia. Frases como “preferia ver cadáveres empilhados” a decretar um novo confinamento voltam para assombrar Johnson. O testemunho de Dominic Cummings está pejado de acusações gravíssimas e Johnson confirmou-as implicitamente ao recusar desmentir no Parlamento ter dito, por exemplo, que a Covid era só “alarmismo” sem fundamento e que não decretava um segundo confinamento porque “só mata pessoas de 80 anos”.

“Morreram dezenas de milhares de pessoas que não precisavam de morrer”, afirmou Cummings, acrescentando mesmo: “As pessoas pensam que depois de ficar doente [adoeceu com Covid em novembro de 2020] Johnson passou a tomar a doença mais a sério. Mas ele pensava que o primeiro confinamento foi um erro e que tinha sido enganado para o decretar”.

Cummings culpa também Johnson por manter no cargo o ministro da Saúde, que teve um comportamento “criminoso” (ver caixa). Johnson é também acusado de mudar de posição segundo as notícias dos jornais, parecendo “um carrinho de supermercado a bater de um lado para o outro do corredor”.

Pormenores
Distraídos com o cão
Cummings diz que a 12 de março de 2020, quando a pandemia estava já fora de controlo e deviam ser adotadas medidas, Carrie Symonds, namorada do PM, distraiu as atenções de todos “porque ficou louca” com uma notícia do ‘The Times’ sobre o comportamento selvagem de Dilyn, o cão do casal.

Fronteiras abertas
Em abril de 2020 Boris Johnson recusou fechar fronteiras porque, segundo Cummings, queria ser como a personagem do mayor no filme Tubarão, que manteve as praias abertas apesar do risco de morte.

“Devia ter sido demitido por mentir”
O ex-conselheiro do PM diz que o ministro da Saúde, Matt Hancock, “devia ter sido demitido por mentir”. Desde logo, quando disse que “todas as pessoas infetadas estavam a ser tratadas”. Na verdade, diz Cummings: “Muitos foram abandonados e morreram em circunstâncias horríveis”.

Queria ser infetado em direto na TV
O desprezo do PM pela pandemia era tal que, segundo Cummings, em fevereiro de 2020 disse: “É como a gripe suína. Vou pedir para me injetarem em direto na TV com o coronavírus para todos perceberem que não é preciso ter medo”. Esta atitude retardou o combate às infeções.
Ver comentários