General está a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal por erros e omissões na gestão da pasta, principalmente pelas dezenas de mortes ocorridas na cidade de Manaus.
O polémico e contestado ministro brasileiro da Saúde, general Eduardo Pazuello, pediu ao presidente Jair Bolsonaro para deixar o cargo. Pazuello, general da ativa que se recusou a passar à reserva ao ser nomeado ministro, alegou problemas de saúde que o obrigarão a afastar-se, sem indicar quais.
Nomeado por Bolsonaro após este demitir dois ministros médicos que se recusaram a cumprir ordens absurdas do presidente negacionista e anunciado por este como um grande especialista em logística que ia conseguir organizar o serviço público de Saúde e preparar o processo de vacinação contra a Covid-19, nessa altura, em maio de 2020, ainda embrionário, Pazuello revelou-se um péssimo gestor, desorganizou com as suas ordens desconexas as poucas coisas que ainda funcionavam, e a sua saída do cargo é pedida há meses por praticamente todos os setores, incluindo a base do governo no Congresso. Com o seu jeito truculento, Pazuello, que obedece cegamente a qualquer ordem de Bolsonaro por mais disparatada que seja, criou conflitos com os principais fabricantes de vacinas contra a Covid-19, e o Brasil, que tem um sistema de vacinação dos mais avançados do mundo, não tem como usá-lo porque não conseguiu comprar imunizantes nem para os grupos mais prioritários.
Fortemente contestado por vozes de todos os setores do Brasil, que até este domingo regista 277 mil mortes e 11,3 milhões de infetados pelo coronavírus, o general está a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal por erros e omissões na gestão da pasta, principalmente pelas dezenas de mortes ocorridas na cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas, onde os hospitais ficaram sem oxigénio no início de fevereiro por o Ministério da Saúde, apesar de ter sido informado a tempo, não ter criado uma forma de os abastecer na quantidade suficiente para enfrentarem a explosão de casos de Covid-19. O Exército também tem pedido insistentemente a saída de Pazuello, que, ao recusar-se a deixar o serviço ativo e ao ter-se transformado no maior fracasso do governo Bolsonaro, afetou bastante a imagem das Forças Armadas.
Apesar de nada ainda ser oficial, fontes próximas ao presidente Bolsonaro avançaram este domingo que ele já tem dois médicos, ambos cardiologistas, em vista para substituirem Pazuello. Um desses nomes é o da cardiologista Ludhmilla Abrahão Ajjar, professora associada na USP, Universidade de São Paulo, e o outro é o de Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
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