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Ministro que comandou campanha de Dilma é denunciado ao Supremo

Fernando Pimentel, que comandou a vitoriosa campanha de Dilma Rousseff à presidência do Brasil em 2010 e depois foi nomeado para o cargo de poderoso ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, vai ter que explicar à mais alta corte brasileira sobre irregularidades que supostamente cometeu. Depois de meses de análise de um volumoso processo, a Procuradoria-Geral da República denunciou Pimentel ao Supremo Tribunal Federal, única instância que pode investigar ou processar ministros.

14 de março de 2012 às 18:26

Fernando Pimentel, que é amigo de Dilma há muitos anos e que esta tem protegido firmemente desde que no ano passado começou a ser alvo de denúncias de tráfico de influência e desvio de recursos, é acusado pela PGR de ter participado em fraude de licitações e de desvio de fundos em 2004, quando o agora super-ministro era presidente da câmara da cidade de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, onde a presidente nasceu. A denúncia da Procuradoria diz respeito apenas a dois casos concretos, mas há diversas outras acusações contra o ex-autarca.

Durante meses, ao longo do ano passado, Pimentel foi acusado de inúmeras irregularidades que terão sido praticadas quer quando era o presidente da edilidade mineira quer quando já coordenava a campanha de Dilma à presidência.

Porém, ao contrário do que fez em relação a outros ministros denunciados, que demitiu em alguns casos sumariamente, Dilma Rousseff sempre defendeu Pimentel e ordenou aos partidos da sua base aliada que o blindassem, protegendo-o e livrando-o de dar explicações publicamente.

Mas o cenário começou a mudar. Além da denúncia da PGR ao Supremo, Pimentel está em risco de ser investigado também pela Comissão de Ética Pública, ironicamente um órgão de fiscalização ligado à própria presidência da República. Segunda-feira, a comissão tentou instaurar um processo contra o ministro, mas um conselheiro conseguiu adiar a decisão, pedindo mais tempo para analisar as denúncias.

As acusações que a Comissão de Ética Pública analisa dizem respeito ao período em que Fernando Pimentel, depois de deixar a presidência de Belo Horizonte, se dedicou aos seus negócios particulares e, depois, à coordenação da campanha de Dilma. Nesse período, apesar da dedicação à campanha eleitoral da hoje presidente lhe tomar todo o tempo e o forçar a sucessivas viagens, Pimentel ganhou uma verdadeira fortuna por supostas assessorias empresariais e pareceres económicos pagos a peso de ouro mas que nunca foram apresentados. A Comissão de Ética Pública suspeita de enriquecimento ilícito através de tráfico de influência.

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