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Correio da Manhã

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Missão na central japonesa é “até à morte”

A ordem absoluta é para não abandonar e trabalhar até à recuperação completa dos sistemas. Um director da Tepco, responsável pelo pessoal que luta para evitar um apocalipse nuclear na central de Fukushima, explicou ao diário japonês ‘Mainichi’ que a decisão do primeiro-ministro nipónico, Naoto Kan, de insistir na reparação das graves avarias com fugas radioactivas corresponde a uma imposição de "seguir até que a exposição à radioactividade vos mate".

19 de Março de 2011 às 00:30
Enterrar os mortos, cujo número subiu a 6911 (mais 10 259 desaparecidos e 2409 feridos) e reactivar Fukushima são metas urgentes
Enterrar os mortos, cujo número subiu a 6911 (mais 10 259 desaparecidos e 2409 feridos) e reactivar Fukushima são metas urgentes FOTO: EPA

O enviado ao Japão pelo diário espanhol ‘El Mundo', David Jiménez, conta ainda que os grupos, entre 50 e 300 homens, que procuram desesperadamente reparar a central, têm na maioria mais de 60 anos. Poupam-se, assim, pessoas mais novas a situações de alto risco de vida e provável morte próxima devido ao elevado nível de radioactividade. É o que no Japão se chama ‘yamato-damasshi', estado de espírito semelhante aos dos pilotos suicidas no ataque a Pearl Harbour, na Segunda Guerra Mundial (1939/45). Hoje aparece retocado como dedicação ao bem comum acima dos interesses pessoais.

O reatar ontem conseguido do fornecimento de electricidade ao reactor nº 2, o menos danificado, foi sublinhado pelo primeiro-ministro na TV: "O Japão reconstruiu-se miraculosamente após a Guerra. Com a força de todos, vamos outra vez reconstruir o país". O último balanço oficial da tragédia dá conta de 6911 mortos e mais de 10 mil desaparecidos.

PROFESSOR SALVA 42 ALUNOS DO TSUNAMI

Há 137 estudantes da escola secundária de Ofunato desaparecidos desde o dia dos sismos e do tsunami, mas os 42 alunos que estavam com o professor Robert Baley, inglês de 27 anos, encontram-se bem. Ele tornou-se herói pela iniciativa de levar os seus pupilos para um campo de basebol, onde não corriam o risco de ficarem enterrados sobre destroços e que, além disso, se situa num local elevado. Uma grande sorte. Robert contou à Sky News que o alerta de tsunami foi dado pelas sirenes já com o perigo iminente. Viu-se uma nuvem de água e logo a seguir a torrente rompeu pelo vale arrastando casas, barcos e automóveis como se fossem brinquedos. Ficaram em pânico, mas o tsunami passou à distância. Baley foi mestre da sorte.

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