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Correio da Manhã

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Modelo derrota Obama no Senado

O republicano Scott Brown venceu a eleição especial de terça-feira para o Senado norte-americano, conquistando um lugar que era dos democratas desde 1972 e privando-os da preciosa ‘supermaioria’ no Senado, crucial para fazer passar sem obstáculos a agenda política do presidente Obama, incluindo o controverso plano de reforma do sistema de saúde. Um presente amargo, no dia em que o presidente norte-americano completou o primeiro ano de mandato.
21 de Janeiro de 2010 às 00:30
Antes de enveredar pela política, Scott Brown foi um bem sucedido modelo fotográfico que chegou a posar nu para revistas
Antes de enveredar pela política, Scott Brown foi um bem sucedido modelo fotográfico que chegou a posar nu para revistas FOTO: Adam Hunger/Reuters

Brown, de 50 anos, um antigo modelo fotográfico com uma carreira política relativamente discreta, conquistou 52 por cento dos votos na eleição especial que decorreu no estado do Massachusetts para substituir o falecido senador Edward Kennedy, ícone democrata e um dos principais defensores da reforma da saúde. O candidato republicano entrou na corrida com escassas hipóteses de vitória, para disputar um lugar que desde 1972 pertencia a Kennedy e ao Partido Democrata, mas rapidamente se tornou o porta-voz do descontentamento com as políticas de Obama, acabando por bater a candidata democrata Martha Coakley, que não conseguiu mais de 47 por cento dos votos.

Para o Partido Democrata, esta derrota representa não só a inesperada perda de um lugar considerado seguro, como também o fim da ‘supermaioria’ de 60 lugares no Senado, indispensável para ultrapassar quaisquer obstáculos levantados pelos republicanos às políticas de Obama.

Brown, doutorado em Direito pela Universidade de Boston, tem um perfil que agrada. Bem-parecido, sorridente, de palavra fácil, rapidamente conquistou os descontentes e indecisos. Isto apesar de ter sido modelo, ter posado nu, em 1982, e de ter chegado mesmo a ganhar o título de "homem mais sexy dos EUA".

CANDIDATO LUSO-DESCENDENTE TEVE 22 MIL VOTOS

O político luso--descendente Joseph Kennedy, que se apresentou como independente, não foi além dos 22 237 votos, cerca de 1%. Kennedy, recorde-se, é filho de pai português, mas adoptou o nome da família de acolhimento com a qual cresceu. O facto de se chamar Kennedy e a confusão que poderia causar nos eleitores era uma das incógnitas desta eleição, mas o político luso-descendente acabou por não ter influência no resultado final.

PORMENORES

OBAMA NÃO DESISTE

A Casa Branca garantiu ontem que a reforma do sistema de saúde continua a ser uma prioridade do presidente, mas admitiu uma "mudança táctica" face à perda da ‘supermaioria’ democrata no Senado.

RECUO DEMOCRATA

Antevendo a derrota, os democratas admitiram apressar a votação do plano de saúde no Senado antes da tomada de posse de Brown, mas ontem garantiram que não o farão.

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