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Moro adia interrogatório de Lula por razões de segurança

Juiz é o responsável pela operação anti-corrupção Lava Jato e pelos processos em que Lula da Silva é acusado de crimes como tráfico de influência.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 24 de Abril de 2017 às 20:46
Lula da Silva
Lula da Silva FOTO: Direitos Reservados

Por razões de segurança, o juíz brasileiro Sérgio Moro, de Curitiba, responsável pela operação anti-corrupção Lava Jato e pelos processos em que Lula da Silva é acusado de crimes como tráfico de influência, adiou o interrogatório que faria ao antigo presidente no próximo dia 3 de Maio e que agora só deverá ocorrer uma semana depois, dia 10. O adiamento foi um pedido da Polícia Federal, que alegou não ter tempo hábil para montar o esquema de segurança que será necessário para a ocasião, em que estão previstos para aquela cidade do sul do Brasil diversos actos pró e contra o antigo chefe de Estado.

O Partido dos Trabalhadores, PT, partidos aliados, sindicatos e movimentos populares já tinham marcado manifestações para ocorrer dia 3 em Curitiba, onde fica, além do forum onde Moro despacha, a sede da Polícia Federal onde está o comando da Lava Jato. Mas depoimentos nos últimos dias que incriminam ainda mais Lula fizeram os aliados convocar uma verdadeira mobilização nacional para defender o antigo presidente de Moro, que o próprio ex-governante diz ser o seu pior inimigo e comandar um suposto complot para o impedir de disputar as presidenciais de 2018.

Há um grande temor entre os aliados do antigo chefe de Estado de que ele possa ser preso quando for depor, ainda mais depois de nos últimos dias o ex-presidente da constructora OAS, Leo Pinheiro, que foi amigo de Lula durante anos, ter aparentemente dado à justiça as provas que faltavam contra o ex-presidente. Neste processo, um dos cinco em que é arguido, Lula é acusado de ter recebido da OAS, entre outros benefícios ilegais, um apartamento triplex numa elegante praia no litoral de São Paulo como pagamento de favores ilícitos feitos à constructora, o que o antigo presidente nega.

Pinheiro, que foi preso por corrupção e decidiu passar a colaborar com a justiça em troca de redução de pena, garantiu a Moro que Lula realmente é o dono do triplex e que o ex-presidente e ex-amigo sabia perfeitamente dos milhões ilícitos que a constructora dava ao PT. Pior ainda, Leo Pinheiro afirmou a Moro que ainda esta semana vai entregar provas documentais de todas as acusações que fez contra Lula, que tinha no empresário e presumível amigo uma das maiores esperanças de ser ilibado.

Após essa reviravolta, movimentos sociais, partidos e sindicatos decidiram reforçar as manifestações inicialmente marcadas para dia 3 e de regiões mais distantes de Curitiba já tinham até começado a sair caravanas com militantes pró-Lula dispostos a tudo para o defender. Isso fez a Polícia Federal avaliar que o esquema de segurança inicialmente preparado para o dia do interrogatório de Lula já não seria suficiente e pedir a Moro mais tempo para preparar novas medidas.

Em Março, quando Lula foi depor a um outro juíz, dessa feita em Brasília, num outro processo, várias medidas de segurança foram tomadas, apesar de, nessa altura, não ter havido convocação popular. Diversas ruas em redor do forum onde Lula depôs foram fechadas até para a passagem de moradores e funcionários do tribunal que não tinham a ver com o depoimento, e toda a região foi tomada por um forte contingente policial. (FIM).

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