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Correio da Manhã

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Morreu carrasco de Timor

Suharto morreu. O antigo ditador indonésio, responsável pela invasão de Timor-Leste, com a qual se iniciou uma trágica ocupação que durou 24 anos, estava internado há três semanas num hospital de Jacarta. O seu estado de saúde agravou-se subitamente e, aos 86 anos, partiu, deixando para trás um legado visto por muitos como catastrófico. Além da incontornável questão timorense, Suharto encabeçava ainda listas dos dirigentes mais corruptos do Mundo. A seu favor, o desenvolvimento económico registado na Indonésia durante o regime.
28 de Janeiro de 2008 às 00:30
Hospitalizado no passado dia 4 por problemas cardíacos, pulmonares e renais, Suharto encontrava-se em estado crítico. Depois de ter sofrido várias recaídas, registou uma ligeira melhoria na sexta-feira. Mas, face ao súbito agravamento do seu estado e após uma forte quebra de tensão, Suharto recebeu respiração assistida. Contudo, depois de uma falha multiorgânica que o deixou em coma, o coração traiu-o.
O antigo presidente indonésio, pai de seis filhos, governou o país com mão-de-ferro durante mais de três décadas (1967-1998), sendo forçado a demitir-se na sequência de uma crise económica e de uma revolta popular que incluiu massivos protestos estudantis. Foi durante a sua governação, em 1975, que ocorreu a invasão indonésia de Timor-Leste, na sequência da qual terão morrido 200 mil timorenses. Contudo, para o embaixador da Indonésia em Portugal, Francisco Lopes da Cruz, Suharto sofreu “pressões externas” para invadir Timor-Leste.
O antigo líder encabeçava as listas do Banco Mundial e da organização Transparency International referentes aos dirigentes mais corruptos do Mundo. E foi apenas a sua debilitada saúde que o salvou, na última década, de ser julgado por corrupção. No entanto, apesar de uma presidência manchada pela violação dos Direitos Humanos, Suharto tem a seu favor o desenvolvimento económico que conseguiu no país.
DEPOIMENTOS
"NÃO DEVEMOS GUARDAR RANCOR" (Ramos-Horta, Presidente timorense)
José Ramos-Horta, não guarda “rancor” de Suharto. “Que Deus, o todo-poderoso e misericordioso, o tenha em Sua graça”, declarou quando Suharto estava já em estado muito grave. Também o primeiro-ministro Xanana Gusmão admitiu o “lado bom” do ex-ditador, que “desenvolveu um grande país”.
"É UM MOMENTO DE LIBERTAÇÃO" (Ana Gomes, Eurodeputada socialista)
A eurodeputada socialista Ana Gomes considerou que a morte de Suharto é “um momento de libertação para todos os indonésios que sofreram a sua repressão e para os que ainda hoje sofrem as consequências desse regime”. Ana Gomes fez referência, designadamente, às “práticas corruptas” que ainda hoje se mantêm.
PERFIL
Nascido em Java em Junho de 1921, Haji Muhammad Suharto chegou ao poder em 1965, após fracassado golpe de Estado comunista. Em 1967, já com a patente de general, sucedeu a Sukarno na presidência. Nos primeiros meses do seu regime, mais de 500 mil pessoas foram mortas numa limpeza anticomunista.
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