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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Morreu primeiro presidente da Argélia

Ahmed Ben Bella, o primeiro Presidente da Argélia independente, morreu esta quarta-feira em Argel aos 95 anos, anunciou a agência APS ao citar familiares próximos.

11 de abril de 2012 às 18:51

Presidente argelino entre 1962 e 1965, Ben Bella morreu na sua residência na capital, segundo a mesma fonte. Há pouco mais de um mês, e devido a doença, tinha sido internado por duas vezes no hospital militar de Ain Naadja.

Ahmed Ben Bella foi um dos nove líderes nacionalistas argelinos que em Abril de 1954 se reuniram na Suíça para fundar o Comité Revolucionário de Unidade e Acção (CRUA), que em Outubro passaria a ser designado Frente de Libertação Nacional (FLN).

Em 1 de Novembro, a FNL desencadeou a insurreição armada contra o domínio colonial francês que deu início à guerra da independência argelina (1954-1962) através das ações do seu braço armado, o Exército de Libertação Nacional (ALN).

Em 1956 Ben Bella é detido pelas autoridades francesas após o avião em que seguia com destino a Roma, supostamente para manter conversações com o primeiro-ministro francês Guy Mollet, ter sido interceptado e desviado para França.

Ficou detido até 1962, mas sempre conseguiu manter contactos com os meios nacionalistas argelinos e em 1958 foi designado vice-presidente do governo provisório da República Argelina (GPRA).

Após a França do general De Gaulle admitir a independência da sua colónia magrebina em 1962, e apesar de ser inicialmente contra as negociações com Paris, Ben Bella concordou em assinar os acordos de paz de Evian, que acabaram por legitimar a independência da Argélia em 3 de Julho.

Primeiro-ministro da Argélia independente entre 1962 e 1963, foi eleito em Setembro desse ano Presidente do país após a adopção da nova Constituição, num país dominado pela FLN.

Em Junho de 1965 é deposto num golpe militar dirigido pelo seu ministro da Defesa, Houari Boumédiène (1932-1978) e permanecerá detido, num regime muito severo, durante 14 anos.

Após a morte de Boumédiène, foi libertado e colocado em regime de prisão domiciliária. Em 30 de Outubro foi finalmente libertado e exilou-se durante 10 anos na Suíça.

Após regressar ao seu país em 1990, Ben Bella retomou a actividade política e instalou o Movimento para a Democracia na Argélia (MDA), que tinha fundado no exílio em 1984.

Na sequência do golpe militar de Janeiro de 1992, motivado pela iminente vitória da Frente Islâmica de Salvação (FIS) nas eleições legislativas, e o início da sangrenta guerra civil, o seu partido foi proibido, a par de outras formações políticas, em 1997.

O primeiro Presidente da Argélia independente permaneceu, no entanto, activo na política interna, designadamente nas tentativas de convencer a FIS na renúncia à violência. Ben Bella presidia desde 2007 ao Grupo de sábios da União Africana (UA).

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