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Correio da Manhã

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Morte de menina de três anos que foi espancada durante meses deixa Brasil em choque

Mãe e padrasto da bebé foram presos como únicos suspeitos do crime, que negam.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 21 de Novembro de 2019 às 19:31
Micaelly Luiza de Souza Santos
Micaelly Luiza de Souza Santos FOTO: Direitos Reservados/ Twitter

Apesar de ser um País que está habituado a crimes brutais, o Brasil está chocado com a notícia da morte de Micaelly Luiza de Souza Santos, uma menina de apenas três anos de vida que sofreu horrores e o calvário de ser espancada nos últimos quatro meses, até morrer esta terça-feira vítima de mais uma sessão de tortura. A mãe de Micaelly, Isadora Pereira de Souza, de 20 anos, e o padrasto da bebé, Ewerton de Queirós Lourenço, de 30, foram presos como únicos suspeitos do crime, que negam.

Micaelly foi levada pela mãe e pelo padrasto na manhã da passada terça-feira ao Hospital Planalto, em Itaquera, bairro no extremo leste da cidade de São Paulo. A menina apresentava hematomas por todo o corpo, que o casal alegou terem sido provocados por uma queda. Os médicos, no entanto, perceberam que a bebé já estava morta e que os ferimentos na verdade tinham características de terem sido provocados por uma violenta agressão e chamaram a polícia, que prendeu Isadora e Ewerton quando estes tentavam abandonar o hospital.

Esta segunda-feira, Micaelly tinha tido alta de um outro hospital na zona leste da capital paulista, depois de ter ficado internada por 13 dias para tratar de outros ferimentos graves, que tinha por todo o seu pequeno corpo, igualmente atribuídos pelo casal a quedas. Graças aos cuidados recebidos nesses 13 dias, a menina saiu do hospital a andar. Ninguém da equipa médica imaginava que em menos de 24 horas, a menina estaria morta devido a mais uma brutal sessão de espancamento e, segundo a polícia da 22 Esquadra de São Paulo, em São Miguel Paulista, também na zona leste, de ter sido aparentemente vítima de abuso sexual.

Meses de sofrimento
O crime, por mais chocante que seja a morte de uma criança, teria sido apenas mais uma notícia de infanticídio, infelizmente comum no Brasil, não fossem os detalhes que se conheceram do caso nestas quarta e quinta-feira, durante os quais a imprensa dedicou uma cobertura gigantesca ao assassínio de Micaelly e chocou a opinião pública a cada novo pormenor revelado. Segundo o que a polícia já apurou, o padrasto, Ewerton, classificado como um homem de personalidade doente e violenta, tinha ciúmes de Micaelly com a mãe e agredia a criança ininterruptamente, sem que Isadora fizesse algo para evitar, se separasse dele ou o denunciasse.

Só nos últimos dois meses, Micaelly, apurou a polícia depois, já tinha sido internada quatro vezes, sempre em hospitais diferentes para não chamar a atenção, com hematomas e ferimentos generalizados no rosto, no abdómen, nas costas e nos membros superiores e inferiores. Em todas as vezes, os médicos aperceberam-se de que os ferimentos tinham sido ocasionados por agressão e comunicaram às autoridades, mas nada foi feito contra o padrasto e a mãe da vítima.

Segunda-feira, antes de sair do hospital com a neta, a avó materna de Micaelly, Edite, foi avisada pela direção e pela assistente social de que a justiça tinha determinado que ela ficasse com a guarda da criança por seis meses e que devia impedir qualquer contacto da bebé com a mãe e o padrasto até que tudo fosse esclarecido. Edite, que alega não ter entendido muito bem o que lhe disseram, ao sair do hospital entregou a neta à filha, que vive em outro local, exatamente para onde a justiça tinha proibido que a bebé fosse levada.

Após a confirmação da morte da bebé no dia seguinte, começou uma triste sucessão de acusações mútuas e 'empurra-empurra' entre as pessoas e os órgãos que deviam ter feito alguma coisa para proteger Micaelly. A polícia não tomou medidas contra o padrasto e a mãe quando foi alertada das agressões pelos relatórios médicos, o Conselho Tutelar de Menores não acompanhou o caso de perto nas vezes em que a bebé saiu do hospital, e a justiça simplesmente deu a guarda dela para a avó materna, sem investigar se teria condições para proteger a menina, ao invés de a entregar à avó paterna ou ao pai biológico, que ao tentar ficar com a filha teve o pedido recusado devido a suspeitas levantadas por Edite e já desmentidas oficialmente.

As fotos tiradas a Micaelly no hospital são tão fortes que as emissoras de televisão e os jornais só as exibem parcialmente, para não chocarem ainda mais as pessoas. Ewerton, que continua a negar os crimes, teve de ser transferido para uma prisão em local não divulgado para continuar vivo, pois assim que os outros presos da cela em que estava ficaram a saber o que ele fez, tentaram matá-lo também à pancada.

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