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Correio da Manhã

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Morte suspeita atinge Itália

O caso do ex-espião russo que morreu envenenado em Londres na passada quinta-feira atingiu agora a Itália. O jornal ‘La Repubblica’ divulgou ontem informações que envolvem o italiano Mario Scaramella, uma das últimas pessoas a ver Alexandre Litvinenko, e levam a concluir que havia uma conspiração contra o actual primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, e o seu vice, Massimo d’Alema.
28 de Novembro de 2006 às 22:53
A Polícia encontrou vestígios de polónio-210 em cinco locais de Londres
A Polícia encontrou vestígios de polónio-210 em cinco locais de Londres FOTO: Hug Philpott/EPA
De acordo com aquele jornal, em 2004, o académico Mario Scaramella propusera a Litvinenko colaborar com a Comissão Mitrokhin, então criada pelo Parlamento de Roma, para examinar documentos dos Serviços Secretos soviétivos (KGB) sobre actividades na Itália. Esta comissão, registe-se, era liderada pelo senador Paolo Guzzanti do partido Forza Italia, de Silvio Berlusconi.
O ex-espião acedeu colaborar e ter-se-á deslocado a Nápoles e contado a Scaramella tudo o que sabia sobre o KGB e FSB (sigla dos actuais serviços secretos russos). Na conversa que então manteve com Scaramella – a que o ‘La Repubblica’ teve acesso –, Litvinenko ter-se-á manifestado surpreendido pelo interesse do professor italiano sobre as alegadas relações de Prodi e de outros membros de centro-esquerda italiana com a KGB e, especialmente, sobre o suposto envolvimento de Prodi no sequestro de Aldo Moro, o ex-primeiro-ministro italiano assassinado pelas Brigadas Vermelhas.
Um outro antigo agente dos serviços secretos russos, Eugenij Limarev, revelou ao ‘La Repubblica’ as suas ssuspeitas sobre Scaramella, que, segundo ele, poderá trabalhar para os serviços secretos italianos ou até mesmo para a CIA, que estaria a movimentar-se para desacreditar o presidente russo, Vladimir Putin. Limarev, que também colaborou com Scaramella, refere igualmente o grande interesse do professor italiano no relacionamento de Prodi e D’Alema com o KGB e ainda no actual ministro do Ambiente e presidente dos ‘Verdes’, Alfonso Pecorato Scanio.
Scaramella, recorde-se, encontrou-se com Litvinenko no restaurante Itsu Sushi em Londres no dia em que o ex-espião russo ficou doente (1 de Novembro) e ter-lhe-á revelado nomes das pessoas que poderiam estar envolvidas no assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya. O professor italiano regressara, entretanto, a Itália, mas agora está de novo em Londres, sob a protecção da Polícia, para ser interrogado.
Segundo o ‘Daily Mirror’, as autoridades vão agora submeter a testes uma quarta pessoa, o jornalista Graham Brough, que manteve um encontro secreto com Scaramella em Itália.
DESENVOLVIMENTOS
CINCO LOCAIS
A Polícia descobriu a substância radiactiva Polónio-210, que matou Litvinenko, em cinco locais em Londres: no restaurante Itsu, na casa do ex-espião, nos escritórios do empresário Boris Berezovsky, no Millennium Hotel e numa empresa de segurança onde este Litvinenko.
MAIS DE 600 PESSOAS
Mais de 600 pessoas que poderão ter estado expostas a radiações emitidas pelo Polónio-210 já telefonaram à Agência de Protecção de Saúde britânica. Três fizeram exames. Na sexta-feira, será feito um exame ‘post mortem’ a Litvinenko.
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