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MOTIM SANGRENTO NA BOLÍVIA

Pelo menos 16 pessoas morreram e 80 ficaram feridas num forte tiroteio entre militares e polícias amotinados junto à sede da presidência da Bolívia, na capital do país, La Paz. O balanço total de vítimas mortais em 24 horas de violência política naquele país sul-americano subiu para 20, com a morte de duas pessoas que estavam a saquear uma loja em El Alto, próximo da capital.
13 de Fevereiro de 2003 às 20:28
MOTIM SANGRENTO NA BOLÍVIA
MOTIM SANGRENTO NA BOLÍVIA
A rivalidade entre militares e polícias bolivianos remonta há meio século, quando os polícias de então se juntaram a milícias populares para combater o exército nas ruas e depor o regime da altura. Esta hostilidade endémica voltou agora a despertar devido às duras medidas fiscais decretadas pelo governo do presidente Gonzalo Sanchez de Lozada, para combater o défice público por forma a conseguir ajuda do Fundo Monetário Internacional.

Lozada, 72 anos de idade, é um dos mais importantes aliados regionais de Washington no combate ao narcotráfico. Em Janeiro, dez pessoas morreram em confrontos entre forças de segurança e agricultores que se opõe à iniciativa governamental boliviana, sob os auspícios dos EUA, para erradicar o cultivo da planta da coca.

Esta semana cerca de 10 mil polícias amotinaram-se em diversas instalações das forças de segurança, exigindo aumentos salariais na ordem dos 40% e a eliminação de um novo imposto sobre os rendimentos decretado pelo governo de Lozada. Ontem à noite, um número elevado de polícias juntou-se em frente à presidência para uma manifestação de apoio aos seus colegas amotinados.

A manifestação estava a decorrer de forma pacífica até que uma multidão de jovens se juntou aos polícias. As fontes divergem quanto ao início dos confrontos, culpando-se mutuamente, mas tudo indica que a violência teve início com pedras lançadas contra o edifício da presidência, o que despoletou resposta por parte dos militares ali colocados. Essa resposta terá levado os polícias a reagir, instalando-se o caos, com consequências sangrentas.

O presidente reagiu a estas acontecimentos eliminando o imposto que havia decretado. Os polícias já chegaram a um acordo para por fim ao motim, mas os trabalhadores cumpriram hoje um dia de greve geral e continuam a exigir a demissão do Chefe de Estado.
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